Publicado em 30/10/2026 11h05

Entenda por que o frango caiu no atacado apesar dos casos de Newcastle

A confirmação de novos casos da doença de Newcastle em Santa Catarina ainda não causou impactos no mercado brasileiro de carne de frango.
Por: Wisley Torales

A confirmação de novos casos da doença de Newcastle no estado de Santa Catarina e a manutenção de restrições comerciais por parte de países importadores ainda não geraram reflexos significativos na comercialização de produtos avícolas no mercado brasileiro. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que monitora diariamente os negócios da avicultura nos principais polos produtores e distribuidores do país.

Na cotação apurada na última quinta-feira (29/10), o indicador Cepea/Esalq para o frango resfriado comercializado no atacado da Grande São Paulo registrou o valor de R$ 8,26 por quilo. O resultado representa uma retração de 2,82% no comparativo de sete dias. Contudo, os pesquisadores ressaltam que o movimento de desvalorização decorre do comportamento sazonal do consumo interno, que costuma perder força nas semanas finais de cada mês.

Ao contrário do cenário observado durante a ocorrência da gripe aviária registrada no ano de 2025, os analistas do Cepea não identificaram um fluxo atípico de carne de frango oriunda da região Sul em direção ao mercado paulista. A estabilidade na oferta regional preserva o equilíbrio dos estoques no centro do país, impedindo variações bruscas nas cotações praticadas entre frigoríficos e distribuidores.

Comportamento do atacado: O indicador Cepea/Esalq do frango resfriado fechou a R$ 8,26 o quilo na Grande São Paulo, acumulando queda semanal de 2,82%.

Destino das exportações e cenários para o mercado interno

Agentes do setor produtivo consultados pelos pesquisadores apontam que, na hipótese de prolongamento das barreiras comerciais estaduais ou do surgimento de novos embargos internacionais, a indústria avícola buscará o redirecionamento dos volumes excedentes para outros mercados compradores no exterior. O Brasil mantém acordos sanitários abrangentes que permitem remanejar cargas para países sem restrições específicas por município ou estado.

Caso uma parcela do volume de carne de ave bloqueado na exportação não encontre compradores alternativos no comércio exterior, esses lotes poderão ser absorvidos pela distribuição doméstica. A entrada de um volume excedente no circuito nacional ampliaria a oferta disponível nas centrais de abastecimento do Sul e Sudeste, exercendo pressão baixista sobre as cotações no atacado.

A evolução das negociações diplomáticas conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária permanece como o elemento central para definir o ritmo de embarques das plantas industriais catarinenses.

Redirecionamento de cargas: Caso restrições internacionais se ampliem, indústrias buscarão novos compradores no exterior para evitar a sobreoferta doméstica.

Monitoramento sanitário e competitividade na mesa do consumidor

A contenção do vírus nas áreas delimitadas no Oeste catarinense e a transparência na prestação de informações aos organismos internacionais sustentam a confiança de parceiros comerciais estratégicos. A rápida resposta do sistema de defesa sanitária animal evita que a imagem do produto brasileiro seja prejudicada globalmente.

A carne de frango mantém papel relevante na preferência de consumo das famílias brasileiras, conservando boa competitividade em relação às proteínas bovina e suína nos pontos de venda urbanos. A manutenção da demanda doméstica estabilizada contribui para amortecer oscilações nos preços recebidos pelas agroindústrias processadoras.

O acompanhamento diário das cotações no atacado paulista e o rastreamento do trânsito de cargas entre as regiões produtoras continuarão balizando o planejamento das indústrias para as próximas semanas.