Trabalhar e agir 100% no ESG é difícil
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Publicado em 23/10/2026 07h45

Trabalhar e agir 100% no ESG é difícil

Quando recebe ‘bala’ de troco; quando marca hora no médico e é atendido 2 horas depois; quando programa festa e a empresa pede ‘falência’; quando reserva um produto, chega na hora certa e ele já foi vendido; quando contrata um profissional e ele logo te deixa na mão; quando paga mais caro por um serviço ou produto inferior!! O que tudo isso representa?
Por: Kátya O. Desessards

Tenho pensado muito nos últimos meses sobre essa dinâmica do mercado brasileiro de consentir a ‘fraude’ na relação com o consumidor.

Forte isso, né!? Mas é isso que está acontecendo na prática.  Os produtos estão diminuindo de tamanho e o preço sobe cada vez mais. Assim como em algumas escolas públicas e privadas... onde “o professor faz de conta que ensina, e o aluno finge que aprende”. Alguma semelhança com algo que você já vivenciou!?!?

Seja sincero... Tenho certeza de que você já falou ou ouviu essa frase!

É triste, pesado e também agressivo. Eu me sinto ofendida e envergonhada.

Falar, escrever e trabalhar com ESG  é se deparar TODOS OS DIAS, com o limite da paciência, do limiar ético ou da capacidade de “engolir sapo, bode, rato... ou coisa pior”.

Mas vamos construir juntos esse cenário. Tudo o que escrevi acima é verdade. Trágico, melancólico e meio raivoso. Certo!? Por natureza, sou otimista. Acredito na presunção de inocência, até que se prove o contrário. Mas confesso que o mundo tem me desafiado e imposto uma realidade diária que confronta, acintosamente, a minha essência. Somos todos humanos. Acertamos, erramos, voltamos a errar e descobrimos os caminhos a seguir. Isso é a vida, normal e corriqueira.

Tem gente boa, tem gente ruim, tem gente mais ou menos e tem gente que vai, por conveniência, ser o que lhe dá mais vantagem.

É a vida. Mas, ainda assim, podemos fazer escolhas melhores. Podemos escolher não normatizar o mal. Porque a questão central do ESG não está em operar entre o certo e o errado, pois aprendemos o Certo, diante do Erro. Então, o ciclo de maturação das empresas é aprender nas muitas fases de erros e acertos. E ok, tudo normal. Precisamos experimentar. Precisamos nos colocar à prova. Precisamos disso para INOVAR.

As empresas necessitam ter essa chance, essa etapa de evolução e maturação de construção de sua identidade e de suas diretrizes existenciais. E isso vai acontecendo ao longo dos anos de vida/existência.

Hoje, por conta de tantas necessidades de adequações esses ciclos de realinhamento são – cada vez mais – importantes, vitais e necessários, para as empresas (de qualquer tamanho) gestarem suas ‘personalidades’.

A Matriz ESG leva esses desafios às empresas, assim como, também, impõe atitudes (governança) firmes e claras. Até aqui, sei que concordamos. Eu vejo essas regras como um conjunto de OPORTUNIDADES para a empresa, dentro do argumento real das regras do ESG, exigir o mesmo nível de atitude de seus profissionais.

O ‘jogo’ é simples... A regra é essa. Os limites são esses.  Simplista, né!? Mas,­ a lógica geral é essa mesmo. Porém... somos seres humanos e não uma IA. Apesar de nossa pseudo-lógica-concreta, a ambiguidade entre o que pensamos e como agimos é um labirinto em espiral... E, Por quê? Simples: se argumenta sempre de forma rasa o que – realmente – IMPORTA; ou seja, que se deveria ‘consertar’ em nós mesmos fica em segundo plano. Reflita...

O ponto em debate – aqui - é a relação injusta entre o Bem e o Mal; e não entre o Certo e o Errado.

Você consegue perceber a diferença!?

Engraçado nessa relação, é que, se vê o MAL ser ‘relativizado’ e o ERRO ser demonizado. Isso sempre me espantou. Isso se vê hoje no Brasil com bastante frequência, por exemplo, no ‘rito processual’ de conduta da Justiça (no geral). O cidadão brasileiro parece não ter direito de se defender. Se o marginal entra na sua casa você não pode fazer NADA, tem que ACEITAR o que ele QUISER fazer... matar, estuprar, mutilar... qualquer coisa. Mas se você for agir para salvar sua mulher e filhos, não ouse machucar o criminoso... Você será preso e condenado pelo juiz por ‘machucar’ o criminoso. Você será acusado de crueldade.

Percebe!? A loucura institucional que vivemos no Brasil!!

A insegurança não é jurídica! De forma alguma! É de Pessoas. Sim! A Lei é clara, cristalina. A pseudo-interpretação e aplicação da lei é que é o PROBLEMA. Ou seja, são as pessoas que subvertem a Lei e as “interpretam” num espaço e tempo paralelo da nossa realidade e da ÉTICA pura e simples.

Exatamente como expliquei acima: (O ponto em debate – aqui - é a relação injusta entre o Bem e o Mal; e não entre o Certo e o Errado.)

Quando se entende o âmago da Matriz ESG, se percebe – exatamente – essa diferença. O que temos que identificar, tipificar, combater e isolar nas empresas, nos governos e em toda a estrutura estatal, governamental e na sociedade são Pessoas – expressamente - de índole ruim. Este é o ‘ponto e vírgula’ na condução das relações profissionais e pessoais. Esta conduta é que deveria ser treinada e instrumentalizada na Gestão de Pessoas para que essa tipificação de pessoa conseguisse ter a escolha de mudar ou conviver com o natural isolamento social.

Essa é a ‘utopia’ que almejo na minha alma!

Essa – deveria – ser o cerne de debate e discussão entre acadêmicos de direito, filosofia, sociologia, jornalismo, psicologia, de residentes em psiquiatria e, até, das religiões.

Ou alguém vai negar que é plausível, a identificação e tipificação da Pessoa Má!? Claro que vai ter. Aliás, é o exato exemplo que trouxe acima... o criminoso é um ‘coitadinho da sociedade opressora’. O que, na realidade, são apenas os Maus se defendendo para não serem - eles – descobertos. A dinâmica do Caos é essa.

E nem vou entrar noutras bases sociais que estão sofrendo ‘reconceituação’, desmoralização e uma nítida demonização. Aqui não é o lugar e nem o espaço para isso. No entanto, o que venho falando, exaustivamente, sobre ESG tem a ver - diretamente - em se entender de PESSOAS.

A Matriz ESG tem o S (Social) no meio que representa – exatamente – todos nós: PESSOAS.

Quem gere, quem produz, quem compra, quem vende, quem ensina, quem aprende e quem cria ou mata, são PESSOAS (S). E não o Meio Ambiente (E) e nem a Governança (G). E dentro do Certo e do Errado há uma certa relatividade plausível, pois muitas variáveis compõem a equação entre nossas percepções e as nossas ações.

E como já disse... Aprendemos com nossos erros. Eles nos moldam e nos fortalecem. Diferente do Mal, que só engana, mente, destrói, corrói, inveja de forma visceral, tem prazer em subjugar, tem certeza que ferindo o outro está fazendo o ‘certo’.

 

 

Essa é a loucura social-dissociativa entre a Moral (que vem em grande parte das crenças, principalmente religiosas) e a Ética (que vem da conduta humanista onde todos são iguais). Ou seja, moral sem ÉTICA é – exatamente – qualquer conduta radical fundamentalista.

Percebe a diferença!? Claro que aqui dá para fazer um livro só sobre esse assunto. Mas, aqui, quero trazer esse – Ponto e Virgula – para você refletir sobre como estamos perdendo tempo com ações e debates sem qualquer função prática nas empresas. Pois, o cerne de grande parte dos problemas hoje no mercado é o desvio ético das relações comerciais com produtos e serviços sem qualidade, nas relações profissionais dentro do ambiente das empresas e, principalmente, no propósito mascarado.

Gente, por isso que... Trabalhar e agir 100% com ESG é difícil! Não é impossível, mas, deveras, se faz alguns inimigos pelo caminho. Eu, com certeza, devo estar na ‘boca de muito sapo’.

A gente brinca, mas é um cenário nada auspicioso. Não é uma luta entre o bem e o mal. É uma batalha contra a ausência de atitude e posicionamento de pessoas boas. É uma caminhada de conscientização de que fazer o certo é o certo a ser feito. É cansar de ‘bater na mesma tecla’...deixando a garganta doendo de tanto se falar a mesma coisa. Mas, afinal, qual é a lógica para tanta energia gasta!? Simples... não faz sentindo deixar o mal triunfar.

As empresas apenas refletem a imagem e semelhança da sociedade da que fazem parte. Não existe nenhuma ‘dimensão paralela’ onde um não seja – diretamente – espelho do outro.

 Quando trazemos isso para o nosso dia a dia, é simples perceber que, na grande maioria das vezes, acabamos fazendo tudo sempre do mesmo jeito... ou por mania, costume, falta de tempo ou total falta de vontade de mudar. É uma mentalidade comum.

Esse ‘Mindset’ é o nosso cérebro sendo econômico e nos centrando na zona de conforto.  Neurobiologia pura. Ok, somos previsíveis. Mas, também, conseguimos evoluir nesses últimos 10 mil anos. Então, o que me assusta nessa equação é... com tanta tecnologia, acesso à informação (claro, também à desinformação), mas o fato é que temos mais ferramentas para a interatividade e meios de pesquisa... Com tudo isso, pergunto. D’us amado o  que faz uma pessoa negar os Fatos!?

Minha caminhada para mostrar os melhores caminhos com o ESG, não tem nada a ver com convencer ou montar cenários propícios. Longe disso! O principal objetivo é dar a oportunidade para as empresas encontrarem seus pontos de equilíbrio. Sim, PONTOS. Sempre há duas ou mais variáveis que, juntas, propiciam que o movimento das relações dentro das empresas seja possível se manter – naturalmente – aberto à evolução.

E por que não usei a palavra ‘mudança’? Simples. Porque mudar nem sempre é o melhor. Mas, estar aberto a evolução sim, isso é necessário. A natureza humana – por herança ancestral - tende sempre a buscar o conforto, mesmo que este... não seja o melhor ou o certo a se fazer.

Neurociência pura. Menos gasto de energia. Menor nível de conflito. Melhor zona de conforto. Por isso, que estabelecer parâmetros mais claros entre as necessidades da empresa e as expectativas das pessoas (que farão ela existir)... têm no ESG uma ‘escada’ que pode ir para todos os lugares.

Iniciei este artigo ponderando sobre a nossa natureza psicossocial.

Ou somos Bons ou Maus dentro de uma régua que vai de movimentando de um lado para outro – durante a vida - a depender das experiências e cenários que a vida vai nos trazendo. O imponderável dessa equação é achar que só se é ou bom ou mal. Lamento, mas o Ser Humano é instável porque é orgânico. E é aí que volto para o questionamento lá do início do artigo. Você – efetivamente – já tentou entender por que é tão difícil para alguns grupos sociais fazerem a coisa certa só por que é o Certo a Ser Feito!?

Me dói, mas a sociedade brasileira tem essa CHAGA... Essa FALHA ética é tal qual como o Inonotus obliquus: o fungo parasita que cresce em plantas, etc.

Hoje, como já venho falando, os tempos são mais que ‘bicudos’. A ditadura das ideologias coopta, muitas das vezes, corrompe e, até, pode ter algo de bom; mas, no final, tudo que se precisa impor pela força, pelo grito  pela descredibilização do outro; ou pela ‘reconstituição’ dos fatos reais por outros mais convenientes; no final não presta. Isso deixou de ser uma ideologia, para ser uma “autocracia”. E é – exatamente – esse desvio de caráter social que devemos combater usando as escalas de princípios, autorregularão diante das ‘fronteiras’ do outro, culminando com o indicador mais importante em todas as ‘Eras do Mundo’: o Senso Ético como parâmetro básico de limite. Simples assim.

A inteligência no processo, seja ele qual for dentro das empresas, instituições ou governos, vai precisar – justamente – desse senso ético como um elixir contra o Alter Ego que cada Ser Humano tem escondido em si. Realmente, eu não estava querendo filosofar neste artigo, mas falar de coisas tão áridas faz necessário uma certa dose de paciência (que eu quase não tenho) e de uma ‘ginástica semântica’ para falar sem tomar ‘partido’. Mas, aqui com você, me dou a liberdade de não ser ‘econômica’ nem de escrever ‘meias-palavras’.

Você sabe... o mundo está bem doido. Muito radicalismo e a constante destituição da ordem Ética e lógica das coisas. Mas seja forte! Seja criativo! Seja sonhador! Seja esperançoso! Seja o que o Outro não é, ou não consegue Ser! Ou, simplesmente, ele não quer ser...

Use os princípios do ESG como um caminho que vai lhe dar muitos PROPÓSITOS a serem forjados e conquistados. Não existe perfeição. E tudo bem! Porque isso também é uma coisa boa. A perfeição absoluta é – Graças a D’us – uma utopia, pois, ela, elimina a possibilidade de haver INOVAÇÃO e EVOLUÇÃO.  O maior ‘sabor’ da Vida é os gostos que vamos ‘degustando’ ao longo da caminhada da nossa Vida. Mesmo com esse Mundo maluco que está! Mesmo com a doidera das polarizações e radicalismos políticos e religiosos.

Ainda assim, tenho fé no Ser humano.

E vou terminar muito diferente hoje esse artigo...

Porque.... Trabalhar e agir 100% no ESG é difícil, cansativo e nos faz ter vontade – todos os dias – de fazer de ‘conta’ que não estamos vendo nada  errado. Então, vamos respirar lentamente e soltar o ar... mais lento ainda... que a razão volta ao corpo novamente. 😅🙃😉

Todos precisamos encontrar a nossa ‘Pedra Filosofal’. A minha, é escrever poesia. Então, aproveite que hoje estou sentimental... e vou encerrar com uma das minhas primeiras poesias... escrevi em 1987. Acredito que será – para você - uma boa reflexão para fechar tudo que você leu neste artigo hoje:   

O SONHO DE UMA NOITE

Noutras noites,
...acordo do sono prisioneiro.

E sobre meus sonhos desfeitos,
faço versos.

Tentando capturar os diversos contorno de minh'alma.

Trazendo à tona... seres imersos.

E corro para fixá-los... ávida e ligeira.
Mas, no papel, o verso perde vida...

como água, entre os dedos... foge.

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Kátya O. Desessards | Conselheira e Mentora em ESG e Comunicação Estratégica.

Sócia de  Flávio Nerva, Ceo do Institute On Life (especializado em Inovação e gamificação).

E integra o casting da Vant Group Consulting de Júlio Rocha, criador da plataforma Vantwork

Coautora no livro: Gestão! Como Evoluir em uma Nova Realidade?

Experiência de 28 anos em diversos setores do mercado como: varejo, imprensa, infraestrutura, gestão pública,  entidades de classe, cooperativismo de crédito, etc.

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 Dúvidas & Sugestões sobre ESG:  katya.desessards@instituteon.life