A safra de milho dos Estados Unidos surpreendeu o mercado após uma sequência de sinais de perdas provocadas pelo calor e pela seca. Segundo reportagem da World Grain, publicada em 16 de outubro, a revisão das estimativas oficiais mudou a percepção sobre a produção americana e provocou queda nas cotações em Chicago.
No relatório de 9 de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a projeção de produtividade de 178,5 para 181,2 bushels por acre, o maior aumento entre setembro e outubro desde 2005. A produção foi estimada em 16,034 bilhões de bushels, crescimento de 1,5% sobre a previsão anterior.
O resultado contrariou as expectativas formadas ao longo da temporada. Em agosto, após visitar lavouras de sete estados, a expedição Pro Farmer havia projetado produtividade de 173,2 bushels por acre, a menor desde 2020. As preocupações com o desenvolvimento das plantas ajudaram a impulsionar os contratos futuros de milho de US$ 4,02 por bushel, no fim de junho, para US$ 5,18 no início de setembro.
A mudança de cenário também refletiu estoques maiores. Em 1º de setembro, os Estados Unidos tinham 2,095 bilhões de bushels de milho da safra anterior, volume 35% superior ao registrado um ano antes. Após a divulgação do relatório de outubro, o contrato de dezembro em Chicago recuou 4,1%, encerrando a sessão a US$ 4,7975 por bushel.
Uma possível explicação para a revisão é que as chuvas atrasaram a colheita e permitiram ao USDA avaliar diretamente mais espigas ainda no campo. Para o Brasil, a evolução da produção americana merece atenção pela influência das cotações internacionais sobre o mercado de milho. A próxima estimativa do USDA está prevista para 10 de novembro.