A arrancada do plantio da soja para a safra 2026/2027 ganha ritmos distintos entre os estados do Centro-Oeste brasileiro na metade de outubro. O boletim meteorológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), elaborado a partir do modelo numérico COSMO, projeta variações expressivas na umidade do solo, acumulados de chuva e temperaturas médias entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal.
Em Mato Grosso do Sul, as condições operacionais e hídricas permanecem amplamente favoráveis ao estabelecimento das lavouras de primeira safra. A atuação de áreas de baixa pressão atmosférica associada à elevada umidade mantém a instabilidade, com volumes semanais entre 40 e 80 milímetros, alcançando 100 milímetros em pontos do norte e do sul do estado.
Embora o excesso de nebulosidade e as tempestades pontuais possam interromper temporariamente o trabalho das semeadoras, o armazenamento de água no solo situa-se entre 60% e 90% da capacidade. Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura sul-mato-grossense atingiu 25% da área prevista até 9 de outubro, superando a média histórica de cinco anos registrada em 21,8%.
Ritmo em MS: O armazenamento hídrico no solo entre 60% e 90% impulsiona o plantio em Mato Grosso do Sul, que superou a média dos últimos cinco anos.
Em Mato Grosso, os acumulados de chuva previstos oscilam entre 20 e 60 milímetros, concentrando os maiores volumes nas regiões sudoeste e noroeste. Essa água repõe parcialmente a umidade da camada superficial, contudo a distribuição permanece bastante heterogênea entre as diferentes zonas agrícolas do estado.
As porções norte e leste mato-grossenses concentram os menores estoques hídricos no perfil do solo. Somada às temperaturas médias elevadas, que oscilam entre 26°C e 30°C, a demanda evapotranspirativa das plantas e da atmosfera acelera a perda de água, exigindo cautela dos produtores para evitar falhas no estande e na emergência das plântulas.
A Conab aponta que o plantio de soja em Mato Grosso alcançou 25,2% da área total projetada até o dia 9 de outubro, com recomendação técnica de suspensão dos trabalhos nas áreas em que a umidade do solo ainda se mostra insuficiente.
Ritmo em MT: Com 25,2% da área semeada, Mato Grosso registra estoques baixos de água no norte e leste, exigindo cautela no ritmo de plantio.
O cenário exige atenção reforçada em Goiás e no Distrito Federal, onde os acumulados de chuva devem variar entre 10 e 40 milímetros. A precipitação mais expressiva concentra-se nas porções sul e leste do território goiano, enquanto a região norte enfrenta temperaturas elevadas e alta evapotranspiração.
A Capacidade de Água Disponível (CAD) no solo goiano varia entre 20% e 50%, mas despenca para índices inferiores a 15% na faixa norte do estado. Essa restrição hídrica explica o ritmo mais cadenciado dos trabalhos de campo. A Conab indica que Goiás semeou 7% da área prevista até 9 de outubro, abaixo da média dos últimos cinco anos fixada em 8,6%.
Meteorologistas e agrônomos orientam que os produtores rurais avaliem a umidade real na profundidade de deposição das sementes antes de autorizar a entrada das máquinas. Pancadas de chuva isoladas em solos aquecidos podem induzir a germinação da semente sem fornecer o volume de água necessário para a sustentação e o enraizamento inicial da cultura.