
O mercado físico da pecuária de corte brasileira inicia o mês de setembro sustentado pela expectativa de maior demanda externa, em especial das indústrias norte-americanas. A flexibilização temporária das tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos abriu margem para a entrada de até 300 mil toneladas de carne bovina brasileira nos próximos três meses.
A medida beneficia diretamente os cortes de dianteiro bovino, item bastante procurado pelo mercado norte-americano para a produção de hambúrgueres e derivados industrializados. O analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, aponta que essa brecha comercial deve oferecer sustentação aos preços da arroba no mercado interno ao longo das próximas semanas.
O fôlego trazido pela demanda dos Estados Unidos contrabalança a pressão exercida pela indústria frigorífica local. Durante o mês de agosto, as unidades de abate conseguiram estender suas escalas utilizando lotes próprios de confinamento e animais oriundos de contratos de parceria, o que reduziu a necessidade de compras agressivas no balcão.
Destaque: A cota temporária de 300 mil toneladas enviada aos Estados Unidos aquece a procura pelo dianteiro bovino e segura os preços do boi gordo.
Mesmo com as oscilações registradas ao longo do mês anterior, a média das cotações nas principais praças pecuárias do país encerrou o período em patamar superior ao verificado no fechamento de julho, demonstrando a resistência dos preços em campo.
Apesar da sinalização positiva vinda da América do Norte, os analistas descartam aumentos desmedidos nas cotações no curto prazo. A entrada em vigor da suspensão de embarques para a União Europeia, aplicada devido a divergências no cumprimento de exigências sobre o uso de antimicrobianos, estabelece um teto para as altas.
A restrição imposta pelo bloco europeu afeta diretamente as plantas habilitadas para o envio de cortes nobres, forçando o redirecionamento de lotes para o mercado interno ou para outros destinos internacionais menos remuneradores.
Destaque: O embargo aplicado pela União Europeia barra disparadas no preço da arroba, exigindo o redirecionamento de cortes nobres no mercado.
O cenário para valorizações mais intensas fica projetado para o encerramento do ano. O movimento deve ganhar força quando os frigoríficos iniciarem a montagem dos estoques voltados ao atendimento das cotas de exportação para a China referentes ao ciclo de 2027.
O balanço dos preços da arroba a prazo no encerramento de agosto mostrou valorização na maior parte das praças acompanhadas. Em São Paulo, a cotação fechou em R$ 345, apresentando retração de 1,43% frente aos R$ 350 praticados no final de julho.
Em Goiás (Goiânia) e Minas Gerais (Uberaba), os valores subiram 3,08%, atingindo R$ 335. Mato Grosso do Sul (Dourados) registrou alta de 3%, com a arroba cotada a R$ 345. No Mato Grosso (Cuiabá), o ganho foi de 1,54%, alcançando R$ 330, enquanto Rondônia (Vilhena) avançou 2,46%, fechando em R$ 333.
No mercado atacadista, a carne bovina enfrentou concorrência direta com proteínas concorrentes, como frango e suínos. O quarto dianteiro encerrou agosto estável em R$ 20 por quilo, enquanto o traseiro caiu 1,89%, cotado a R$ 26. A entrada da massa salarial na primeira quinzena de setembro deve reaquecer a demanda interna pelos cortes.