
A aproximação entre a juventude e as inovações tecnológicas do setor produtivo marcou mais uma edição do projeto APTA Portas Abertas, promovido pela APTA Regional em Itapetininga, unidade vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A iniciativa recebeu estudantes de escolas públicas locais, jovens atendidos pela Fundação CASA e participantes do Projeto Jovem Empreendedor do Agro, sediado no Parque Cidadão da Chapadinha.
O encontro teve como propósito apresentar a rotina da pesquisa científica e demonstrar como ferramentas digitais transformam o trabalho nas lavouras. O diretor técnico da unidade, o pesquisador Carlos Frederico de Carvalho Rodrigues, destaca que a ação busca fortalecer a integração com a comunidade e despertar o interesse dos estudantes para as oportunidades profissionais que emergem com a modernização do campo.
Tecnologia e formação: O evento APTA Portas Abertas aproximou estudantes de Itapetininga da pesquisa científica, revelando novas oportunidades de carreira no agronegócio.
A demonstração prática foi conduzida pelo engenheiro agrônomo João Francisco Gonçalves de Carvalho, bolsista da instituição, que apresentou ferramentas utilizadas no monitoramento de culturas e solos. Entre os instrumentos exibidos aos alunos estavam medidores de umidade de grãos, sensores de temperatura, câmeras térmicas e clorofilômetros, dispositivos que transformam parâmetros das plantas em dados precisos para a tomada de decisão no manejo.
O uso do GPS agrícola foi detalhado como recurso fundamental para o georreferenciamento de amostras, permitindo que pesquisadores e produtores retornem aos mesmos pontos da lavoura para acompanhar a evolução do cultivo. Na análise do subsolo, o engenheiro utilizou o penetrômetro para mensurar o grau de compactação da terra, explicando como o adensamento excessivo compromete o desenvolvimento das raízes.
A apresentação conectou os conceitos da agricultura de precisão às práticas de conservação do solo e agricultura regenerativa. O uso do penetrômetro ilustrou a importância do sistema de plantio direto, no qual a manutenção da palhada e das raízes de culturas anteriores cria galerias naturais que favorecem a infiltração de água e a estrutura física do terreno, reduzindo intervenções mecânicas.
Conectividade no campo: A demonstração integrou a medição de dados via sensores ao uso de softwares e drones automatizados para a aplicação localizada de insumos.
O encerramento das atividades de campo contou com a demonstração de um drone de pulverização agrícola. Os estudantes observaram como os dados coletados por sensores e mapeados via georreferenciamento são convertidos em rotas automatizadas de voo, permitindo a aplicação localizada de insumos. Essa tecnologia otimiza a eficiência operacional e elimina o pisoteio das plantas provocado pela passagem de tratores nas áreas de cultivo.
Para a comunidade escolar, a vivência prática ampliou a visão sobre as carreiras ligadas ao setor agropecuário. A professora Maria Luisa Mariano, que acompanhou as turmas durante a visita técnica, enfatizou que o contato direto com a infraestrutura de pesquisa aproxima os alunos de conceitos modernos que superam o ensino teórico da sala de aula.
O engajamento dos jovens foi evidenciado pela participação ativa durante as demonstrações. Conforme relata o pesquisador Carlos Frederico, os estudantes formularam questionamentos sobre o funcionamento das máquinas e demonstraram interesse pela rotina dos laboratórios de pesquisa, confirmando a eficácia da ação em transformar conceitos científicos em estímulo à investigação e ao aprendizado.