
A adequação no manejo nutricional e o planejamento de compras transformaram a realidade econômica de uma propriedade rural no município de Japorã, no Sul de Mato Grosso do Sul. Atendido pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em Bovinocultura do Senar/MS, o produtor rural Braz Pereira reduziu as despesas com alimentação do gado entre 30% e 40%, além de expandir o plantel de 80 para 160 cabeças de gado.
A trajetória do agricultor no sítio começou em 2018, após anos de trabalho no transporte e venda de madeira de eucalipto pelas estradas do estado. Ao fixar residência na propriedade para trabalhar com a pecuária de corte, o produtor enfrentou dificuldades iniciais na engorda dos animais. Os investimentos em insumos prontos e suplementos não geravam o ganho de peso esperado nos lotes, comprometendo o orçamento da atividade.
A mudança na gestão do sítio ocorreu a partir da indicação de um fornecedor local, que recomendou o atendimento da assistência técnica do Senar/MS. Ao iniciar as visitas na propriedade, o técnico de campo Matheus Damasceno avaliou a rotina alimentar dos bovinos e identificou que a formulação da ração estava desajustada em relação às exigências nutricionais dos lotes.
Redução de custos no campo: A revisão da dieta e a substituição de insumos comerciais reduziram as despesas com alimentação do rebanho em até 40% em Japorã.
A reformulação da dieta envolveu a suspensão de produtos prontos de alto custo e a reorganização dos maquinários da propriedade. A equipe ajustou a pesagem dos animais e substituiu a oferta de capim capiaçu in natura, que apresentava oscilações nos níveis de fibra e proteína, pela produção própria de silagem de sorgo.
A introdução de variedades específicas de sorgo garantiu maior aporte de energia na alimentação diária do rebanho, acelerando o ganho de peso dos animais e diminuindo o tempo de permanência nos ciclos de recria e engorda. O manejo correto da silagem reduziu também o desgaste dos equipamentos de misturação e distribuição de trato no curral.
Evolução do plantel: O acompanhamento técnico viabilizou o crescimento do rebanho de 80 para 160 cabeças de gado, com meta de atingir 500 animais.
A aproximação do trabalho diário na fazenda fortaleceu a relação entre o pecuarista e o profissional de campo. A convivência contínua e a troca de informações sobre o desempenho do lote consolidaram uma amizade pessoal, culminando no convite para que o produtor rural se tornasse padrinho de casamento do técnico de campo.
Com o controle rigoroso dos insumos estocados, a propriedade passou a programar a compra de matérias-primas com base na disponibilidade de volumoso produzido na área. A previsibilidade orçamentária evitou compras emergenciais de ração e garantiu a estabilidade financeira durante os períodos de menor oferta de pastagem na região.
O planejamento para os próximos anos contempla o aumento gradual das baias de confinamento e o crescimento da estrutura produtiva para alcançar o teto de 500 cabeças de gado. A fazenda mantém a meta de consolidar a autossuficiência no fornecimento de alimentos para os lotes nas próximas safras.