Como o agronegócio emprega mais de 22 mil pessoas em Campo Grande
Publicado em 27/08/2026 11h06

Como o agronegócio emprega mais de 22 mil pessoas em Campo Grande

O agronegócio em Campo Grande encerrou 2025 com 22.521 empregos formais, sendo 71,8% concentrados na indústria, no comércio e nos serviços.
Por: Wisley Torales

A presença do agronegócio na economia de Campo Grande extrapola os limites das propriedades rurais e consolida sua força no mercado de trabalho urbano. Um levantamento do Observatório do Trabalho de Mato Grosso do Sul, vinculado à Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (FUNTRAB), revela que a cadeia produtiva somava 22.521 vínculos formais de trabalho na capital no final de 2025. O volume corresponde a 6,94% do estoque total de 324.441 empregos com carteira assinada registrados no município.

A distribuição das vagas evidencia que a maior parte dos postos está inserida na estrutura da cidade. Do montante de trabalhadores identificados no setor, 16.167 profissionais, o que representa 71,8% do total, atuam nos segmentos de indústria, comércio e prestação de serviços. O setor produtivo primário, composto pelas atividades agrícolas e pecuárias dentro das fazendas, responde por 6.354 carteiras assinadas, representando 28,2% dos empregos.

Para mapear a dimensão do setor, o estudo da FUNTRAB utilizou um recorte de 249 subclasses da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). A análise contemplou desde o cultivo no campo até o processamento industrial, logística de transporte, revenda de insumos e consultorias administrativas vinculadas ao agronegócio.

Concentração urbana do agro: Dos 22,5 mil empregos formais do agronegócio em Campo Grande, 71,8% estão alocados em indústrias, comércios e empresas de serviços.

Indústria agroprocessadora lidera contratações

O segmento industrial figura como o principal gerador de empregos da cadeia produtiva na capital sul-mato-grossense. As plantas agroindustriais e fábricas do município concentram 10.226 vínculos formais, índice que representa 45,4% de todas as vagas mapeadas no levantamento. O setor comercial reúne 5.834 trabalhadores ativos, enquanto as empresas especializadas em serviços contam com 107 profissionais registrados.

O perfil das contratações demonstra a diversidade de funções exigidas no ecossistema agrícola. Entre as ocupações com maior volume de admissões no município destacam-se alimentadores de linha de produção, trabalhadores na produção de sementes e mudas, operadores de extração florestal, motoristas de caminhão, atendentes de lojas, trabalhadores agropecuários e assistentes administrativos.

O superintendente do Senar/MS, Lucas Galvan, pontua que a dinâmica econômica do agronegócio integra diferentes frentes profissionais dentro do perímetro urbano. O dirigente enfatiza que o setor mobiliza transporte, tecnologia e gestão corporativa, mantendo milhares de trabalhadores conectados às demandas do campo diretamente dos escritórios e fábricas da cidade.

Liderança industrial: As agroindústrias instaladas em Campo Grande absorvem 10.226 trabalhadores formais, representando 45,4% dos empregos do setor.

Capacitação profissional e formação técnica

A crescente complexidade das operações fabris exige mão de obra capacitada para operar sistemas tecnológicos no agronegócio. Diante dessa demanda, o Senar/MS mantém programas de Formação Profissional Rural e Promoção Social. No município de Campo Grande, a instituição emitiu mais de 3,8 mil certificados de qualificação profissional em 2025, enquanto os registros em 2026 já superam 2,1 mil formações concluídas.

A qualificação abrange a formação técnica de nível médio oferecida em parceria com o Sindicato Rural de Campo Grande. As entidades já diplomaram 210 técnicos na capital e mantêm nove turmas presenciais em andamento. Os cursos cobrem áreas estratégicas como Agronegócio, Zootecnia, Segurança do Trabalho e Florestas.

O superintendente Lucas Galvan observa que os investimentos em educação profissional aproximam os trabalhadores das oportunidades geradas pelas empresas agroindustriais instaladas na capital. As turmas técnicas capacitam profissionais para atuar na gestão de cadeias produtivas e suporte agronômico nas propriedades do estado.