China eleva em 109% compras de carne bovina de MS no 1º semestre
Publicado em 24/08/2026 11h45

China eleva em 109% compras de carne bovina de MS no 1º semestre

No 1º semestre de 2026, as exportações de carne bovina de MS faturaram US$ 1,17 bilhão, alta de 47,9% impulsionada por China e EUA.
Por: Leonardo Gottems

As exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul registraram um desempenho expressivo no primeiro semestre de 2026, movimentando US$ 1,17 bilhão em receita. O montante representa uma expansão de 47,9% na comparação com os US$ 791,8 milhões obtidos no mesmo intervalo de 2025. Em volume físico, os frigoríficos do estado embarcaram 198,1 mil toneladas da proteína, registrando um crescimento de 23,4%.

O avanço da pecuária de corte ganha destaque na comparação com a pauta geral do agronegócio estadual. Enquanto as vendas de soja avançaram 30,5% em faturamento, a celulose recuou 16,6%. Com esse movimento, a carne bovina passou a responder por 20,6% de todas as divisas geradas pelo agronegócio sul-mato-grossense no comércio exterior, aproximando-se dos 25,3% mantidos pela celulose.

No balanço consolidado, as exportações do agronegócio de Mato Grosso do Sul somaram US$ 5,68 bilhões de janeiro a junho de 2026, avanço de 12,4% ante 2025. O setor agropecuário respondeu por 96,1% das vendas totais do estado ao mercado internacional no período.

Avanço em faturamento: A receita com os embarques de carne bovina de Mato Grosso do Sul cresceu 47,9% no primeiro semestre, somando US$ 1,17 bilhão.

Demanda chinesa, preços e valorização do produto

O desempenho das vendas externas fundamenta-se na busca aquecida por proteína animal e no ganho de valor no mercado internacional. A consultora de economia do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, pontua que a receita cresceu mesmo diante de uma redução no volume de abates. A China, principal destino da carne bovina do estado, ampliou em 109% o valor de suas compras, enquanto os Estados Unidos elevaram os desembolsos em 41,7%.

A valorização do produto nas cotações globais também favoreceu os resultados. O preço médio por tonelada da carne bovina exportada por Mato Grosso do Sul valorizou-se 19,7% no semestre, enquanto a tonelada da celulose sofreu retração de aproximadamente 7,8%.

Demanda em expansão: A China aumentou em 109% o valor das compras da carne bovina sul-mato-grossense, enquanto o mercado norte-americano avançou 41,7%.

A alteração na representatividade dos produtos reflete condições conjunturais do comércio global. A consultora da Famasul esclarece que o movimento não indica uma substituição da celulose pela carne bovina, mas uma acomodação decorrente dos preços favoráveis obtidos pela pecuária de corte.

Geração de empregos e desafios do segundo semestre

A expansão do setor de proteína gerou impactos diretos no mercado de trabalho formal em Mato Grosso do Sul. Apenas a atividade de criação de bovinos registrou saldo positivo de 455 vagas com carteira assinada no primeiro semestre. Ao contabilizar o segmento geral da pecuária, o saldo de empregos formais atingiu 611 novos postos no período.

No entanto, os dados mais recentes de julho apontam para uma desaceleração no ritmo dos embarques. A receita obtida com as vendas para a China recuou 46% em julho comparada ao mês de junho, pressionando uma queda de 17% no faturamento total das exportações estaduais de carne.

Para os próximos meses, os exportadores enfrentarão novas barreiras comerciais, como o esgotamento da cota chinesa com tarifa reduzida e a entrada em vigor das exigências da União Europeia sobre a comprovação de antimicrobianos. A manutenção dos resultados dependerá da capacidade da indústria em diversificar mercados importadores, preservar a competitividade e acompanhar a evolução das taxas de câmbio.