México e Chile miram o Brasil para exportar mais abacate e cereja
Publicado em 11/08/2026 16h53

México e Chile miram o Brasil para exportar mais abacate e cereja

México e Chile apresentaram estratégias em SP para ampliar o envio de frutas frescas e hortaliças ao varejo brasileiro.
Por: Redação

O Brasil assumiu uma posição central no planejamento comercial de grandes exportadores de hortifruti da América Latina. A necessidade de diversificar destinos e diminuir a dependência de mercados tradicionais motivou México e Chile a intensificar a prospecção de negócios com redes varejistas e distribuidores brasileiros. Os planos de expansão ganharam espaço durante a The Brazil Conference & Expo, fórum que reuniu lideranças globais do segmento em São Paulo.

O movimento ocorre em um momento de inflexão no comércio internacional. Terceiro maior exportador global de frutas frescas, o México movimentou US$ 18,12 bilhões em vendas de frutas, legumes e verduras no consolidado de 2024. A concentração de 91% dos embarques com destino aos Estados Unidos expôs a vulnerabilidade da cadeia mexicana frente às oscilações de consumo no mercado norte-americano, acelerando a busca por parceiros estratégicos no Hemisfério Sul.

Complementaridade entre México e Brasil

As negociações entre produtores mexicanos e importadores brasileiros baseiam-se na complementaridade das safras e na demanda crescente por variedades específicas. O country manager da International Fresh Produce Association (IFPA) no México, Rubéns Ramirez, explica que o diálogo foca no atendimento a nichos em rápida expansão no país, com destaque para a variedade de abacate Hass, cujo volume consumido pelo mercado brasileiro dobrou nos últimos cinco anos.

O executivo pontua que, enquanto o México lidera o comércio de hortaliças, o Brasil ocupa o topo da produção de frutas tropicais. Essa dinâmica abre espaço para acordos de suprimento contínuo, preenchendo janelas de entressafra e abastecendo os centros de distribuição com itens de alta qualidade e apelo nutricional.

Parceria estratégica: O México busca reduzir a dependência do mercado norte-americano, identificando no varejo brasileiro um canal promissor para a venda de hortaliças e abacate Hass.

Avanço chileno e gargalos fitossanitários

O Chile projeta o crescimento de suas remessas na América do Sul utilizando a proximidade geográfica como vantagem logística. Somando cerca de 17 mil unidades produtoras, o país sul-americano movimentou US$ 7,6 bilhões em exportações de frutas frescas até maio de 2026. China e Estados Unidos absorvem as maiores fatias desse montante, respondendo por 44,6% e 17% do volume físico comercializado, respectivamente.

As cerejas lideram a pauta exportadora chilena, gerando 21% do volume e 44% do faturamento internacional, seguidas pelo grupo de maçãs e peras, que representa 23% do volume físico e 11% da receita. Para o country manager da IFPA no Chile, Ivan Correa, o incremento do comércio com o Brasil depende da modernização dos trâmites burocráticos nas fronteiras.

O representante chileno pondera que a evolução dos fluxos comerciais exige o avanço de acordos fitossanitários e a digitalização completa dos certificados de origem. A automação desses processos promete acelerar o desembaraço aduaneiro e reduzir perdas de carga por perecibilidade durante o transporte terrestre.

Liderança em frutas de clima temperado: Cerejas, maçãs e peras concentram o faturamento do Chile, que busca a digitalização de licenças para ampliar vendas aos supermercados brasileiros.

O hortifruti como motor do varejo e inovações

A reestruturação das cadeias de importação acompanha a mudança no perfil do consumidor brasileiro, que passou a enxergar a seção de Frutas, Flores, Legumes e Verduras (FFLV) como elemento central para uma alimentação voltada à saúde ativa. A coordenação da IFPA no Brasil destaca que a categoria de produtos frescos tornou-se ferramenta de atração de clientes nas lojas físicas e plataformas de comércio eletrônico.

A reorganização logística interna permitiu a redes de atacarejo como o Roldão reduzir em cerca de 2% as perdas por descarte de hortifruti. A melhoria nos processos de compra, o treinamento de equipes e o planejamento baseado na sazonalidade das safras garantem produto fresco com maior margem de rentabilidade para a operação.

Paralelamente às negociações de frutas e ao crescimento da procura por alimentos prontos para o consumo — como saladas embaladas registradas pelo Sam's Club —, o evento serviu de palco para lançamentos no setor de proteína e insumos. A Raiar Orgânicos apresentou uma linha de ovos desenvolvida em parceria com a marca Mansão Maromba, do empresário e influenciador Toguro, conectando práticas de bem-estar animal ao público jovem.

O Hub PECEGE reuniu tecnologias para a desinfecção de alimentos, microbiologia do solo, bioinsumos e sucessão familiar, enquanto especialistas do Veiling Holambra apresentaram dados sobre o potencial de faturamento do mercado de flores no varejo supermercadista.