Pesquisa da UNESP revela qual braquiária não reduz colheita de milho
Publicado em 11/08/2026 10h11

Pesquisa da UNESP revela qual braquiária não reduz colheita de milho

Pesquisa da Unesp em Jaboticabal mostra que o consórcio de milho com braquiária Mavuno gera até 22 sacas a mais por hectare que com ruziziensis.
Por: REDAÇÃO

A integração lavoura-pecuária ganha espaço no planejamento agrícola, mas a escolha da espécie forrageira no cultivo consorciado exige atenção do produtor. Um experimento conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) no campus de Jaboticabal avaliou o comportamento do milho em sistema de consórcio, demonstrando que a seleção da semente correta evita perdas na colheita e garante palhada de qualidade para o plantio direto.

O estudo acompanhou o desenvolvimento das lavouras entre outubro de 2025 e abril de 2026. A pesquisa comparou quatro cenários operacionais: o plantio do milho solteiro, o consórcio com a braquiária híbrida Mavuno e a combinação com a Brachiaria ruziziensis, além de testar o impacto de diferentes dosagens de adubação nitrogenada sobre os talhões.

Produtividade de grãos e impacto financeiro

Os dados colhidos no campo revelaram disparidades significativas entre as opções de cobertura vegetal. As áreas onde o milho dividiu espaço com o híbrido Mavuno mantiveram patamares de produtividade equivalentes ao cultivo exclusivo do grão. Essa estabilidade demonstra que o material não exerceu competição agressiva por luz, água ou nutrientes durante as fases críticas do desenvolvimento da cultura principal.

Em contrapartida, as parcelas consorciadas com a Brachiaria ruziziensis apresentaram um recuo aproximado de 13% no rendimento final. Na comparação direta entre os dois consórcios, a vantagem a favor do Mavuno atingiu 1.332 quilos por hectare, o que equivale a um acréscimo de 22 sacas colhidas por unidade de área.

Diferença na colheita: O consórcio de milho com a braquiária híbrida Mavuno entregou 22 sacas a mais por hectare do que a área semeada com ruziziensis.

A oscilação de volume reflete-se na rentabilidade líquida da propriedade. Considerando o preço médio de R$ 65,55 por saca, registrado em julho de 2026 pelo Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Cepea), a diferença de rendimento entre os dois materiais representa um incremento na receita bruta da ordem de R$ 1.450 por hectare.

Vigor vegetal e acúmulo de palhada

O comportamento fisiológico dos materiais explica a oscilação verificada nas colheitadeiras. A braquiária híbrida Mavuno estabeleceu um arranque inicial moderado, permitindo que o milho desenvolvesse seu dossel sem sombreamento ou disputa subterrânea por nutrientes nas primeiras semanas de emergência.

A ruziziensis demonstrou crescimento inicial agressivo, exercendo competição direta pela adubação nitrogenada e pelo recurso hídrico disponível no perfil do solo. Essa disputa durante o período vegetativo afetou a formação das espigas e comprometeu o peso final dos grãos.

Aumento de receita: A escolha do material forrageiro adequado representa uma diferença potencial de até R$ 1.450 por hectare em receita bruta para o agricultor.

A avaliação em cultivo exclusivo mostrou a capacidade de produção de biomassa das espécies. O híbrido Mavuno acumulou 14.280 quilos de matéria seca por hectare, superando os 9.603 quilos registrados pela ruziziensis na mesma área experimental.

Seleção técnica baseada em evidências

O gerenciamento técnico das propriedades exige adequação das variedades às características locais do solo e ao objetivo final do sistema produtivos. A adoção de materiais com alta capacidade de perfilhamento garante proteção do solo durante o período da seca e fornece alimento para o gado no inverno.

O engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds, Tiago Penha Pontes, orienta que a escolha do consórcio deve basear-se na análise técnica das características de cada planta, compreendendo que o comportamento agronômico varia conforme a genética empregada no campo.

A pesquisa desenvolvida em Jaboticabal soma-se aos dados técnicos que auxiliam no planejamento das próximas safras, comprovando que a braquiária híbrida Mavuno preserva o teto produtivo do milho enquanto eleva a oferta de palhada para a rotação de culturas.