
O avanço das pragas microscópicas de solo nas principais regiões produtoras de grãos do país impõe uma revisão nas estratégias de proteção de cultivo. Em Mato Grosso e Goiás, a presença dos nematoides deixou de ser tratada como um problema pontual para se transformar em um dos maiores obstáculos à produtividade dos sistemas agrícolas do Cerrado.
A intensificação do cultivo com duas safras anuais e o cultivo sucessivo de espécies hospedeiras aceleraram a multiplicação desses organismos na rizosfera. A percepção direta dos danos provocados na estrutura radicular da soja fez com que o agricultor adotasse medidas preventivas antes mesmo da entrada das semeadoras nas lavouras.
Dados de mercado acompanhados pela IHARA apontam que a área tratada com nematicidas registrou um crescimento próximo de 50% nos últimos anos nos estados de Mato Grosso e Goiás. O aumento no volume de aplicação reflete a busca por proteção desde o momento de deposição das sementes no solo.
O gerente de marketing regional da IHARA, Gustavo Corsini, pontua que o planejamento antecipado garante a sustentabilidade das plantas durante a fase inicial de desenvolvimento. A integração de produtos com ação múltipla elimina operações adicionais no campo, otimizando o uso do maquinário e da mão de obra.
Eficiência na aplicação: "Quando o produtor escolhe uma tecnologia que ajuda no manejo de nematoides, ele amplia essa proteção sem acrescentar uma nova operação ao processo. É uma solução que agrega eficiência ao manejo integrado e contribui para preservar o potencial produtivo da cultura desde o início do ciclo", destaca Gustavo Corsini.
Os nematoides agem diretamente no sistema radicular das plantas, perfurando as células e impedindo a absorção adequada de água e dos nutrientes aplicados via adubação. Essa interferência na fisiologia vegetal manifesta-se visualmente na superfície por meio de reboleiras amareladas, porte reduzido das plantas e um desenvolvimento desuniforme do talhão.
Além do impacto direto na absorção de insumos, o ataque dessas pragas abre portas de entrada para patógenos secundários presentes na matéria orgânica do solo. A ação combinada com fungos necrotróficos, como espécies do gênero Fusarium, acelera a podridão das raízes e o tombamento de plântulas.
Estimativas divulgadas pela Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN) calculam que as perdas econômicas provocadas por nematoides na agricultura nacional atingem R$ 35 bilhões anualmente. Desse montante, a cultura da soja responde por R$ 16,2 bilhões em quebras de safra e perda de rendimento por hectare.
Impacto econômico no campo: A Sociedade Brasileira de Nematologia aponta que o ataque de pragas subterrâneas retira R$ 16,2 bilhões por ano dos produtores de soja.
A contenção dos prejuízos exige a adoção do Manejo Integrado de Nematoides (MIN), alinhando diferentes ferramentas ao longo do ano safra. A amostragem de solo para identificação precisa das espécies predominantes antecede a escolha dos materiais genéticos e dos defensivos.
O uso de cultivares com resistência genética, a rotação com plantas de cobertura não hospedeiras, como a Crotalaria, e o condicionamento biológico do solo formam a base das recomendações agronômicas. Essa estrutura integra-se ao tratamento industrial de sementes com produtos de amplo espectro.
Entre os insumos utilizados no planejamento preventivo figura o Certeza N, fungicida desenvolvido pela IHARA que possui registro oficial para a ação nematicida. A aplicação posicionada na fase de tratamento de sementes cria uma zona de proteção ao redor da raiz primária, assegurando o estabelecimento inicial do estande de plantas.