
O início das negociações de agosto trouxe oscilações para o complexo de commodities agrícolas no mercado global. A combinação entre o alívio das tensões geopolíticas no Oriente Médio, o recuo nos preços do petróleo e a alteração nas previsões do tempo nas áreas produtoras dos Estados Unidos passou a exercer pressão sobre os contratos futuros de soja, milho e trigo negociados na Bolsa de Chicago (CME).
A desvalorização do petróleo do tipo Brent, que registrou queda de 8,28% ao encerrar cotado em US$ 83,46 por barril, funcionou como o principal vetor de baixa para o setor agrícola. O movimento ocorreu em função da retomada dos diálogos diplomáticos entre Estados Unidos e Irã, cenário que diminuiu os receios quanto ao fluxo do suprimento energético. Como a cadeia de biocombustíveis guarda ligação com os combustíveis fósseis, a queda da energia reduziu o apetite comprador dos fundos nas bolsas de mercadorias.
Pressão no setor energético: A queda de 8,28% no petróleo Brent para US$ 83,46 por barril reduziu a competitividade dos biocombustíveis e desvalorizou os contratos agrícolas em Chicago.
No ambiente futuro em Chicago, a soja abriu o mês registrando baixas entre 3 e 6 centavos de dólar por bushel nos prazos mais curtos, posicionando o vencimento de novembro próximo de US$ 11,81 por bushel. Além do impacto vindo do setor energético, as previsões de precipitações regulares sobre o Meio-Oeste norte-americano trouxeram alívio sobre a fase de enchimento de vagens da safra dos Estados Unidos.
No mercado brasileiro, a abundante disponibilidade de grãos estocados levou à inversão da tendência de valorização verificada ao longo dos últimos 60 dias. O fluxo contínuo de oferta nas praças do interior superou o efeito defensivo gerado pelo câmbio, visto que o dólar subiu 0,77% no Brasil. O comportamento da moeda evitou um recuo mais acentuado nos preços pagos ao produtor rural nas regiões de origem.
Mudança no mercado nacional: A oferta elevada nas praças brasileiras interrompeu a sequência de 60 dias de valorização da soja, neutralizando parte dos ganhos trazidos pela alta do dólar.
O mercado físico do milho no Brasil apresentou ligeiro recuo de 0,08% na média do indicador Cepea na abertura do mês. Apesar da acomodação pontual, o cereal acumulou valorização sólida de 2,63% durante o mês de julho, impulsionado pelo ritmo constante das exportações brasileiras e pela demanda aquecida da indústria de proteína animal.
Na Bolsa de Chicago, os contratos de milho mantiveram viés de ligeira baixa, influenciados pela desvalorização do etanol e pelo quadro climático favorável no Cinturão Agrícola norte-americano. As projeções para o período de 6 a 14 dias indicam chuvas benéficas para as lavouras, embora os mapas apontem a permanência de temperaturas acima da média histórica.
No segmento de cereais de inverno, o trigo no estado do Paraná indica ter atingido um teto de preços nas negociações locais. O movimento de alta encontra barreira na dificuldade das indústrias moageiras em repassar os custos da matéria-prima para os valores da farinha no varejo.
Ainda assim, a perspectiva de menor área semeada e de uma safra nacional reduzida mantém o viés altista para o cereal no médio e longo prazos. Em Chicago, as cotações do trigo oscilam após forte liquidação de contratos por fundos de investimento. A dinâmica da cultura segue condicionada aos desdobramentos dos confrontos entre Rússia e Ucrânia no Mar Negro e ao quadro de umidade nas lavouras de Dakota do Norte.