
A busca pela otimização do uso da terra e pela diversificação das fontes de receita motivou o apicultor Carlos Dalastta a transformar a rotina do seu sítio em Terenos, município localizado na região metropolitana de Campo Grande (MS). Com quatro décadas dedicadas à apicultura e mantendo uma estrutura consolidada de colmeias para extração de mel, o produtor identificou a oportunidade de aproveitar uma fração da propriedade que permanecia sem uso agrícola para introduzir a ovinocultura.
A transição entre a lida com insetos polinizadores e a criação de ruminantes exigiu a busca por conhecimento especializado. Para estruturar o novo empreendimento com segurança, Dalastta procurou a orientação do Sindicato Rural de Terenos e concluiu dois módulos de capacitação oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul (Senar/MS). O treinamento serviu como porta de entrada para a inclusão da propriedade na Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em ovinocultura, programa que já acompanha a evolução do rebanho há quatro anos.
Assistência contínua na propriedade: "Com a orientação que a técnica passa, o trabalho funciona. Se eu tivesse que pagar um veterinário particular a cada visita, seria inviável para uma pequena criação de ovelhas", destaca Carlos Dalastta.
Antes de receber os primeiros animais, a área selecionada necessitou de uma intervenção profunda no manejo do solo. O espaço continha apenas vegetação nativa, com predominância de capim-jaraguá e trechos de capoeira, ambiente inadequado para atender às exigências nutricionais e ao hábito de pastejo baixo característico dos ovinos.
Com o suporte da equipe de engenharia agronômica e zootecnia da ATeG, a propriedade passou por um planejamento estrutural completo. O projeto incluiu o mapeamento topográfico do piquete e o plantio de forrageiras de alto valor nutritivo e produtividade.
A escolha recaiu sobre a cultivar Tifton para a base do pasto, combinada com áreas de capim BRS Zuri, forrageira que oferece maior volume de massa verde durante os períodos de desenvolvimento. O desenho do projeto estabeleceu a divisão sistemática das áreas de pastejo rotacionado e a abertura de corredores de acesso centralizados para facilitar a circulação do rebanho até os pontos de dessedentação.
Adequação forrageira personalizada: A substituição do capim nativo pela combinação entre Tifton e BRS Zuri garantiu suporte nutricional contínuo e maior oferta de massa foliar para os animais.
O projeto iniciou suas atividades com a aquisição de sete matrizes. Com o avanço das orientações sanitárias e nutricionais fornecidas pela assistência técnica, o produtor adquiriu reprodutores e matrizes em outros estados para promover o melhoramento genético do rebanho instalado em Terenos.
O rigor no acompanhamento preventivo das parasitoses e a formulação de dietas adequadas permitiram manter a sanidade do plantel, reduzindo os índices de mortalidade infantil e acelerando o ganho de peso dos cordeiros. O sucesso no manejo viabilizou os primeiros retornos financeiros da atividade.
A propriedade iniciou a comercialização de animais terminados e já contabiliza a venda dos primeiros reprodutores nascidos na área de expansão do sítio. O produtor planeja novos investimentos na infraestrutura do sítio e a ampliação do plantel de fêmeas para consolidar a ovinocultura como atividade complementar à produção de mel no município.