O uso de microrganismos no manejo agrícola exige posicionamento técnico preciso para que a expectativa no campo esteja alinhada ao real potencial de cada tecnologia. Segundo Jeferson Peres de Oliveira, estrategista de bioinsumos, parte do mercado passou a apresentar o Trichoderma como um “nematicida biológico”, embora essa não seja sua principal função.
O foco mais conhecido do Trichoderma está no combate a patógenos de solo, sobretudo fungos que comprometem o estande, o vigor das raízes e a produtividade das lavouras. Entre os alvos citados estão Rhizoctonia spp., Fusarium spp., Sclerotinia sclerotiorum, Macrophomina phaseolina, Pythium spp., Phytophthora spp. e Colletotrichum spp.
A ação ocorre por diferentes mecanismos, como competição por espaço e nutrientes, micoparasitismo, produção de metabólitos antifúngicos, indução de resistência na planta e estímulo ao crescimento radicular. Esses processos ajudam a explicar a importância do microrganismo no manejo biológico de doenças radiculares.
Oliveira avalia que o problema surge quando o produto é recomendado como solução principal para áreas com altas populações de nematoides. Embora existam estudos que apontem efeitos indiretos e redução de danos em determinadas condições, isso não significa que o controle ocorra da mesma forma observada sobre fungos de solo.
Quando a promessa não se confirma, o produtor pode se frustrar, perder confiança na tecnologia e deixar de reconhecer seu valor agronômico. Na análise do especialista, a falha está menos no Trichoderma e mais no posicionamento inadequado. A recomendação correta, voltada ao manejo de doenças radiculares e baseada no resultado esperado, preserva a credibilidade de uma das ferramentas biológicas mais relevantes da agricultura moderna.