A avicultura de corte brasileira apresenta forte dinamismo neste encerramento de primeiro semestre. Contrariando a sazonalidade histórica, as cotações da carne de frango registram valorizações consistentes em junho de 2026, estendendo a alta inclusive para a segunda quinzena, período em que habitualmente ocorre um desaquecimento nas vendas do varejo nacional.
O comportamento altista foi mapeado em todas as praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Pesquisadores apontam que a sustentação dos preços decorre de uma combinação equilibrada entre a retomada gradual do consumo interno e um ajuste na oferta disponível no mercado de carne fresca e congelada.
Esse ajuste ocorre de forma paralela a um momento de expansão na capacidade produtiva industrial. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o primeiro trimestre de 2026 estabeleceu o maior volume histórico de produção para o período desde o início do monitoramento estatístico da atividade avícola, iniciado em 1997.
Evolução da Produção de Carne de Frango no Brasil:
Volume no 1º trimestre de 2026: 3,734 milhões de toneladas
Crescimento em relação ao 4º trimestre de 2025: 2,2%
Expansão comparada ao 1º trimestre de 2025: 6,9%
Base de comparação histórica do IBGE: Série iniciada em 1997
De janeiro a março deste ano, os abatedouros nacionais processaram 3,734 milhões de toneladas de carne de frango. O montante representa um avanço de 2,2% sobre o volume do quarto trimestre de 2025, evidenciando aceleração no ritmo de alojamento de pintainhos e engorda de lotes comerciais nas principais regiões produtoras do país.
A alta de 6,9% frente às 3,492 milhões de toneladas observadas entre janeiro e março de 2025 sinaliza investimentos em eficiência nutricional, sanidade e modernização das estruturas, fatores que reduzem a conversão alimentar e encurtam o ciclo de abate nos aviários industriais brasileiros.
Os ganhos em escala coincidem com custos de produção previsíveis para os avicultores. A estabilização nos preços do milho e do farelo de soja, componentes que respondem por até 70% do custo total da ração animal, conferiu margens operacionais mais saudáveis para o setor integrado e para as cooperativas agroindustriais ao longo dos últimos meses.
"A combinação de custos controlados com demanda externa aquecida conferiu competitividade extraordinária para os frigoríficos brasileiros no início de 2026", destaca o relatório de conjuntura da avicultura publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
Além do vigor doméstico, o desempenho exportador atua como válvula de escape para manter os estoques equilibrados. A manutenção de barreiras sanitárias rigorosas e o status do Brasil como livre de Influenza Aviária em plantéis comerciais sustentam embarques fluidos para mercados tradicionais no Oriente Médio e na Ásia.
A absorção contínua da produção pelas frentes externas impede a ocorrência de excedentes nas indústrias. Com a oferta regulada e ajustada à demanda de atacados e redes de foodservice, a pressão baixista comum ao meio do ano foi neutralizada, abrindo espaço para as revisões de preço repassadas ao atacado de carne nas praças produtoras.
As cotações do frango vivo nas granjas paulistas mantêm viés firme nas principais praças do Centro-Sul. O encerramento do mês deve consolidar médias financeiras superiores às registradas no fechamento do quadrimestre passado, consolidando um primeiro semestre de margens operacionais positivas para a totalidade dos elos da cadeia avícola integrada nacional.
A estratégia das agroindústrias permanece focada em evitar o acúmulo de estoques perecíveis, garantindo a manutenção do equilíbrio de preços em um período de transição econômica sazonal do mercado consumidor interno.