
Foto Cycloar
A comercialização de soja no Brasil passa por uma transformação que altera as prioridades nas fazendas. Além de buscar alta produtividade, a indústria processadora e os pesquisadores direcionam o olhar para a qualidade intrínseca do grão. Teor de proteína, óleo e aminoácidos começam a ditar as estratégias comerciais, indicando que esses atributos terão forte peso econômico na composição do preço final.
Essa mudança encontra paralelo em competidores externos, a exemplo dos Estados Unidos e do Canadá. Nesses países, os agricultores contam com sistemas consolidados de bonificação financeira para lotes de soja que apresentam diferenciais qualitativos. A valorização do produto pode oscilar entre 5% e 15% sobre o preço médio da saca, variando conforme as especificações de cada contrato comercial.
Especialistas avaliam que o mercado brasileiro tende a adotar esse modelo de remuneração de forma gradativa. O processo deve repetir a evolução registrada na cadeia do leite, na qual parâmetros qualitativos passaram a definir o valor pago ao produtor. Essa transição exige uma revisão completa dos processos pós-colheita nas propriedades rurais.
Destaque: Países como Estados Unidos e Canadá já praticam bonificações que variam de 5% a 15% para grãos de soja que superam os teores mínimos de proteína.
O grande obstáculo para consolidar essa realidade econômica reside no período de estocagem. De nada adianta colher um grão com altos índices nutricionais se as condições ambientais dentro dos silos forem inadequadas. A degradação dos componentes biológicos do grão começa no momento em que ele entra em um ambiente sem o devido controle térmico.
Estudo da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) mediu os prejuízos causados pela falta de manejo nos silos. A pesquisa apontou que, após seis meses de armazenamento sem controle adequado, o volume de grãos ardidos disparou 58,4%, enquanto o índice de grãos fermentados cresceu 14,5%. Houve ainda redução no teor de proteína total e perda de massa.
Os impactos dessa perda afetam toda a cadeia de proteína animal. O pesquisador José Marcos Gontijo Mandarino, da Embrapa Soja, explica que os teores de proteína e de óleo determinam o rendimento industrial durante o esmagamento da oleaginosa. A oscilação negativa desses componentes reduz a eficiência das fábricas e compromete o valor do farelo utilizado na nutrição de rebanhos.
Destaque: Pesquisa da UFPel revela que a falta de controle ambiental nos silos provoca um aumento de 58,4% nos grãos ardidos e de 14,5% nos grãos fermentados após seis meses.
A Embrapa Suínos e Aves trata o tema com atenção, já que o farelo representa a principal fonte proteica para aves e suínos. Nas formulações nutricionais, o ingrediente responde por uma fatia que varia entre 65% e 70% de toda a proteína das rações. Grãos armazenados de forma negligente resultam em dietas menos eficientes, elevando os custos operacionais no campo.
Diante desse desafio, sistemas de exaustão contínua, como o Cycloar da Provent Brasil, ganham espaço. O CEO Elton Stadler destaca que a armazenagem deixou de ser apenas uma proteção de volume. Com a exigência por qualidade, a conservação térmica vira parte da estratégia econômica do produtor para garantir melhores margens comerciais.
Essa tecnologia, aplicada há mais de 30 anos, atua na redução do calor acumulado pela massa de grãos, eliminando a condensação interna e combatendo o excesso de umidade. A manutenção de um ambiente homogêneo impede o desenvolvimento de fungos e preserva a integridade química da soja, evitando perdas severas de peso e qualidade ao longo do tempo.