Nova técnica multiplica batata-doce usando ramos de apenas dois nós
Publicado em 16/06/2026 15h00

Nova técnica multiplica batata-doce usando ramos de apenas dois nós

APTA Regional leva soluções sustentáveis para hortaliças, batata-doce e pupunha à Hortitec 2026, de 17 a 19 de junho, em Holambra.
Por: Wisley Torales

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo apresenta soluções práticas para a cadeia de hortifrúti na Hortitec 2026. Os trabalhos foram desenvolvidos pelas unidades da APTA Regional em Presidente Prudente e Pariquera-Açu, focando na redução de custos e na conservação dos recursos naturais.

As pesquisas expostas validam a aplicação de sistemas sustentáveis no cotidiano das propriedades. Os especialistas estruturaram métodos para otimizar o manejo biológico, o fornecimento de mudas sadias e a proteção do solo, gerando ferramentas eficientes para o produtor.

Manejo sustentável em folhosas

O cultivo de alface ganhou um modelo alternativo focado na conservação ambiental. Desenvolvido com suporte da Fapesp, o projeto avaliou os efeitos práticos da introdução de plantas de cobertura e de novas estratégias para o aporte de nitrogênio na lavoura.

A coordenação do estudo ficou com a pesquisadora Andréia Cristina Silva Hirata, em cooperação com o IAC e com a Esalq/USP. O monitoramento envolveu a análise da lixiviação de nutrientes, a qualidade da água na irrigação, o controle de fitonematoides e as alterações físicas do solo.

Os resultados apontam que as plantas de cobertura otimizam a reciclagem do nitrogênio e diminuem as plantas daninhas. Essa dinâmica reduz o uso de mão de obra para capinas, mantendo elevados padrões comerciais de produtividade e qualidade nas alfaces colhidas.

"Os ganhos do sistema alternativo foram ainda mais expressivos durante o verão, período tradicionalmente mais desafiador para o cultivo de hortaliças folhosas", aponta o relatório da APTA Regional.

Multiplicação acelerada de batata-doce

A cadeia da batata-doce conta com uma nova abordagem técnica voltada para a alta sanidade dos materiais. Como o Estado de São Paulo lidera o fornecimento nacional, a disponibilidade de mudas com alto padrão genético interfere diretamente na rentabilidade dos produtores.

A metodologia desenvolvida pela pesquisadora Amarilis Beraldo Ros viabiliza a multiplicação rápida do vegetal utilizando fragmentos de caule com apenas dois nós. O processo usa materiais livres de vírus, acelerando a formação de plantas saudáveis em tempos reduzidos.

Essas estruturas funcionam como matrizes fornecedoras de ramas para os campos comerciais definitivos. A adoção do protocolo gera lavouras padronizadas, precoces e produtivas, mitigando a degradação biológica das sementes vistas nas lavouras tradicionais.

Controle biológico na cultura da pupunha

No segmento de palmáceas, os cientistas concentraram esforços no manejo da pupunheira para combater a podridão da base do caule. A doença representa a principal ameaça econômica para a atividade, exigindo soluções que evitem a dependência de defensivos químicos.

A equipe de Pariquera-Açu, em conjunto com a Embrapa Florestas, Embrapa Meio Ambiente e UFPR, estruturou um mecanismo inédito de inoculação em laboratório. O ensaio permitiu avaliar a resposta biológica dos tecidos vegetais sob condições controladas.

Os testes comprovaram a eficiência das espécies de fungos benéficos Trichoderma harzianum e Trichoderma asperellum na contenção do patógeno Phytophthora palmivora, sem causar prejuízos à planta.

Os dados foram publicados na revista Summa Phytopathologica, consolidando o controle biológico como ferramenta viável para o campo. A estratégia reduz perdas severas e confere maior estabilidade para o abastecimento do mercado de palmito.

A feira de Holambra funciona como o principal espaço para a transferência imediata dessas tecnologias ao setor privado. A difusão dos dados auxilia na consolidação de sistemas produtivos resilientes e adaptados às exigências ecológicas regionais.