Tour de Confinamento registra ganho médio de 7,22 arrobas e ROI de até 26,8%
Publicado em 02/06/2026 15h39

Tour de Confinamento registra ganho médio de 7,22 arrobas e ROI de até 26,8%

A dsm-firmenich divulgou nesta terça-feira (2) a prévia do Censo de Confinamento 2026, apontando que o Brasil deve atingir o recorde de 9,78 milhões de cabeças de gado confinadas este ano, impulsionado pela transformação digital e ganho de eficiência no campo.
Por: Redação

O mercado pecuário brasileiro caminha para consolidar um novo patamar de profissionalização e uso de tecnologia em 2026. Durante um encontro direcionado à imprensa técnica do setor agro, a multinacional dsm-firmenich apresentou os dados preliminares do Censo de Confinamento 2026 e os indicadores consolidados do Tour de Confinamento 2025. Os resultados revelam um movimento coordenado de pecuaristas em direção à intensificação produtiva, com o objetivo de proteger as margens financeiras por meio da eficiência zootécnica.

As projeções oficiais indicam que o Brasil deve fechar o ano com um rebanho confinado de 9,78 milhões de cabeças de gado. O volume representa um crescimento de 5,7% na comparação direta com o balanço consolidado de 2025, período que registrou 9,25 milhões de animais terminados em cocho. O avanço demonstra a resiliência do setor produtivo mesmo diante de um cenário macroeconômico global desafiador.

Radiografia Regional do Confinamento em 2026

A distribuição geográfica da engorda intensiva no país reforça a concentração do rebanho em regiões com forte infraestrutura logística e ampla oferta de grãos para a composição das dietas nutricionais. De acordo com o censo, cinco estados concentram 70,6% de todo o volume projetado para o território nacional:

Estado da Federação Volume Projetado (2026) Variação Cocho vs 2025 Impacto Regional
Mato Grosso 2,40 milhões de cabeças +7,7% Maior polo produtor do país
São Paulo 1,40 milhão de cabeças +4,9% Forte demanda industrial interna
Goiás 1,40 milhão de cabeças +2,0% Consolidação de grandes boiteis
Mato Grosso do Sul 900 mil cabeças +5,2% Expansão integrada com a agricultura
Minas Gerais 800 mil cabeças +7,9% Maior índice percentual de crescimento

"O Censo vai muito além da mensuração de cabeças confinadas. Ele nos ajuda a compreender transformações estruturais da pecuária brasileira e antecipar tendências. Os resultados mostram uma atividade profissionalizada e orientada por tecnologia."

— Luiz Fernando Magalhães, presidente de Nutrição e Saúde Animal da dsm-firmenich para a América Latina.

Desempenho Zootécnico e Retorno Financeiro

Os dados práticos colhidos durante o Tour de Confinamento 2025 — que auditou o desempenho de animais em oito propriedades distribuídas por oito estados — validam o impacto econômico direto do uso de suplementos de alta tecnologia. As avaliações demonstraram que o investimento em protocolos nutricionais customizados encurta o ciclo de produção e eleva o rendimento de carcaça.

Os animais monitorados ingressaram nas estruturas com um peso médio inicial de 12,7 arrobas ($@$). Ao final de um período médio de trato de 98 dias, os lotes registraram um peso de saída de 19,92 arrobas, gerando um ganho médio absoluto de 7,22 arrobas por indivíduo dentro do sistema.

No balanço contábil das propriedades, a eficiência biológica traduziu-se em rentabilidade. O Retorno sobre o Investimento (ROI) médio obtido pelos pecuaristas parceiros situou-se em 16,31%, com fazendas de alta performance atingindo o teto de 26,8% de lucratividade na operação de engorda rápida.

Inteligência Artificial e Gestão de Dados no Cocho

A expansão dos volumes confinados ocorre em paralelo à digitalização da rotina administrativa das fazendas de corte. Os dados da dsm-firmenich apontam um crescimento robusto na adoção de plataformas de pecuária de precisão. Atualmente, o software de gestão corporativa FarmTell® Beef monitora o comportamento e a evolução de 1,4 milhão de bovinos, operando em 410 confinamentos distribuídos por 12 estados brasileiros.

A inovação nos escritórios rurais ganhou reforço com o uso da Lore™, a inteligência artificial desenvolvida pela companhia especificamente para o segmento pecuário. A ferramenta processa dados operacionais diários — como consumo de matéria seca, curvas de ganho de peso e custos de insumos — para emitir recomendações automatizadas de manejo e ajustes de formulação, permitindo que o gestor tome decisões preditivas antes que eventuais desvios afetem o lucro do lote.

A diretora de Pecuária de Precisão da companhia, Vanessa Porto, argumenta que o acesso a dados estruturados deixou de ser um diferencial acessório e assumiu o papel de componente estratégico para a sobrevivência das fazendas em mercados competitivos. A busca por sistemas capazes de unificar produtividade, sustentabilidade ambiental e governança financeira deve ditar as regras da próxima fase de modernização da pecuária intensiva brasileira.