A economia brasileira voltou a crescer no primeiro trimestre de 2026, após dois períodos de desempenho praticamente estável, em um ambiente de inflação ainda pressionada, mercado de trabalho mais fraco e incertezas externas. Segundo análise do Rabobank, o cenário global segue marcado por riscos geopolíticos elevados, sem acordo entre Estados Unidos e Irã, apesar da prorrogação indefinida do cessar-fogo.
Nos Estados Unidos, a segunda leitura do PIB do primeiro trimestre confirmou expansão em ritmo menor do que o informado anteriormente. O núcleo de inflação medido pelo PCE ficou pouco abaixo do esperado, com alta de 0,2% no mês, ante projeção de 0,3% do mercado. Esse quadro mantém a atenção sobre a trajetória dos juros externos e seus impactos sobre moedas emergentes.
No Brasil, o PIB avançou 1,1% no primeiro trimestre, acima da estimativa de mercado, de 1,0%, e em linha com a projeção do Rabobank. Pela ótica da oferta, os serviços continuaram como principal motor da atividade, com crescimento de 2,1% na comparação anual e de 0,5% frente ao trimestre anterior. Pela demanda, o consumo das famílias se recuperou após dois trimestres fracos e subiu 1,7% em relação ao mesmo período do ano passado, ou 1,0% na margem.
A inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou em maio, mas ficou acima do esperado e superou o topo da meta. O indicador avançou 0,62% no mês, diante de expectativa de 0,57% do mercado e de 0,56% do Rabobank, pressionado por alimentos e energia elétrica.
No fiscal, o Governo Central registrou superávit primário de R$ 25,2 bilhões em abril, resultado favorecido por crescimento das receitas acima das despesas. Já o Caged mostrou abertura líquida de 85,888 mil vagas formais, bem abaixo das projeções. No câmbio, o dólar fechou a semana anterior a R$ 5,0357, mas o Rabobank espera alta para R$ 5,35 até o fim do ano.