Como Mato Grosso do Sul se tornou o porto seguro contra o greening
Publicado em 28/05/2026 10h47

Como Mato Grosso do Sul se tornou o porto seguro contra o greening

Semadesc apresenta na ExpoCitros 2026 o plano estratégico que impulsiona os pomares em MS, com projeção de alcançar 35 mil hectares de cultivo.
Por: Wisley Torales

Secretário-executivo Rogério Beretta liderou a comitiva estadual, acompanhado pelo coordenador de citricultura, Klaus Zimmer, e pelo fiscal agropecuário Mateus Fuchs. Foto: Divulgação

Mato Grosso do Sul consolida sua posição como o principal polo de atração de investimentos para a citricultura nacional, redesenhando a geografia da produção de frutas no país. Durante a ExpoCitros 2026, a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) detalhou o plano estratégico para dar sustentação a esse avanço. A apresentação ocorreu em uma reunião técnica com o Grupo de Consultores em Citros (GCONCI), entidade que reúne especialistas em assistência técnica e planejamento do setor citrícola brasileiro.

O secretário-executivo Rogério Beretta liderou a comitiva estadual, acompanhado pelo coordenador de citricultura, Klaus Zimmer, e pelo fiscal agropecuário Mateus Fuchs. A equipe expôs os indicadores macroeconômicos do estado e os diferenciais que posicionam a região como um ambiente seguro para a alocação de capital de longo prazo. O foco da estratégia governamental baseia-se na oferta de segurança jurídica, expansão da infraestrutura logística e manutenção de um status sanitário diferenciado.

A CITRICULTURA SUL-MATO-GROSSENSE EM NÚMEROS

  • Pomares implantados: 26 mil hectares em produção ativa.

  • Projetos em andamento: 8.690 hectares em fase de preparação.

  • Potencial total mapeado: Quase 35 mil hectares ligados à atividade.

  • Mudas autorizadas: Mais de 13 milhões de unidades em 44 municípios.

Disponibilidade territorial e novos polos

A transição de áreas de pecuária de baixa produtividade para culturas de alto valor agregado tem sido o motor da transformação do campo sul-mato-grossense. O levantamento da Semadesc aponta que o estado conta com 26 mil hectares de citros plenamente estabelecidos, além de outros 8.690 hectares com projetos em andamento. Essa soma projeta a ocupação de quase 35 mil hectares nos próximos ciclos, demonstrando a velocidade com que os investidores respondem aos estímulos institucionais.

Essa expansão territorial é acompanhada pela descentralização da atividade, que hoje registra mais de 13 milhões de mudas autorizadas para o plantio. A distribuição desses ativos biológicos por 44 municípios evidencia a adaptação da cultura a diferentes microclimas locais e a estruturação de uma nova fonte de renda para produtores rurais. A secretaria indicou aos consultores os mapas de aptidão agrícola, destacando as regiões que combinam solo favorável e facilidade logística.

Financiamento e modernização tecnológica

A formação de pomares exige um aporte considerável de capital nos primeiros anos, período em que as plantas ainda não geram receita. Para mitigar esse desafio, o Governo do Estado destacou o papel estratégico do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Com linhas de crédito específicas, taxas competitivas e prazos de carência adequados ao ciclo dos citros, o fundo tem sido o principal suporte para a implantação de viveiros e infraestruturas de armazenamento.

A busca por estabilidade produtiva diante das mudanças climáticas motivou a criação do programa MS Irriga, outra iniciativa estadual apresentada detalhadamente na feira. O programa foi estruturado para incentivar a adoção de sistemas de irrigação de alta eficiência, promovendo o ganho de produtividade por árvore e simplificando os trâmites burocráticos para a obtenção de outorgas de uso da água. A medida traz segurança hídrica e estabiliza a oferta de matéria-prima para a indústria de sucos.

Proteção fitossanitária e controle do greening

O diferencial competitivo de Mato Grosso do Sul em relação às regiões citrícolas tradicionais reside no seu rigoroso ambiente fitossanitário. O avanço do Greening (HLB) em outros estados reduziu a oferta global de suco de laranja e elevou os preços internacionais. O governo estadual antecipou-se a essa crise criando uma legislação específica de prevenção e combate à doença, executada com fiscalização contínua pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro).

A agência atua na inspeção rigorosa de cargas de mudas nas divisas estaduais e no monitoramento constante das propriedades rurais. Esse cinturão sanitário protege o patrimônio dos citricultores e garante o cumprimento dos protocolos exigidos pelos mercados importadores. A sanidade dos pomares locais converteu o estado em um refúgio produtivo, atraindo indústrias que buscam fornecimento estável, enquanto a Iagro fiscaliza a qualidade das mudas comerciais produzidas em solo sul-mato-grossense.