O mercado de grãos encerrou a semana pressionado por ajustes nas expectativas comerciais e pela leitura dos primeiros indicadores para a próxima safra. Segundo análise da StoneX, soja e milho fecharam em baixa em Chicago, apesar de fundamentos que ainda indicam algum suporte aos preços.
Na soja, o mercado reagiu inicialmente ao WASDE divulgado na última semana, que trouxe sinais de um balanço relativamente ajustado para a próxima safra. O quadro chamou atenção especialmente nos Estados Unidos, onde o crescimento do consumo segue relevante e contribui para manter a percepção de sustentação estrutural. Ainda assim, esse fator não foi suficiente para compensar os ruídos vindos do front comercial.
A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping não trouxe anúncios concretos sobre novas compras de soja americana, o que frustrou parte do otimismo que vinha sustentando as cotações. Declarações ambíguas de autoridades dos Estados Unidos reforçaram a cautela entre os agentes e levaram a ajustes nas posições especulativas. Mesmo com apoio vindo do esmagamento e do setor de biocombustíveis, a oleaginosa sentiu o impacto da decepção comercial e encerrou a semana em baixa na Bolsa de Chicago.
No milho, a semana também foi marcada por volatilidade. O mercado digeriu os primeiros números do WASDE para a nova safra, que indicaram um balanço global mais ajustado. A menor área nos Estados Unidos e a perspectiva de produção mais contida reforçaram a avaliação de que o cereal entra na próxima temporada com menor margem de conforto.
Esse cenário aumenta a sensibilidade do mercado a eventuais problemas climáticos, já que a oferta projetada deixa menos espaço para perdas. Apesar da leitura considerada altista pelo lado dos fundamentos, o milho também foi afetado pela frustração inicial com a reunião entre os líderes dos Estados Unidos e da China, encerrando a semana em baixa na CBOT.