
Cidades Inteligentes - PARTE 2
A INTELIGÊNCIA QUE BROTA DO BARRO
No artigo anterior, iniciei uma jornada sobre ESG – Ambiental, Social e Governança – dentro do modelo e do contexto das Cidades Inteligentes. Falei sobre como a governança ética, a sustentabilidade ambiental e a inclusão social são pilares para o futuro urbano. Hoje, em pleno maio de 2026, avanço para um ponto crucial e, muitas vezes, negligenciado: a valorização visceral das soluções locais.
“Com a seriedade de quem acredita que a transformação ESG começa onde estamos”, afirmo sem medo de errar que a SOLUÇÃO quase sempre está a um ‘palmo’ de nós!
Em um Brasil que fechou 2025 com mais de 15.000 startups ativas e um ecossistema de GovTechs que cresceu 25% no último ano, a inovação não está apenas nos grandes centros tecnológicos. Ela pulsa em garagens, laboratórios universitários, cooperativas e pequenas empresas espalhadas por cidades de todos os tamanhos. E, partindo do entendimento da grande capacidade criativa do brasileiro...
...é, justamente, aí que reside o potencial transformador do ESG aplicado ao Modelo Cidades Inteligentes: a capacidade de reconhecer, apoiar e escalar soluções que nascem nas próprias cidades.
O brasileiro não é simples de entender, mas é fácil de ser percebido como acolhedor, resiliente e muito (mas muito) criativo. Quando se percorre bairros ou municípios fora das rotas de fácil acesso às facilidades tecnológicas, se consegue vivenciar – na prática – o “Professor Pardal” que nasce de uma dor ou dificuldade local. Temos, naturalmente, uma mente que busca por conexões na simplicidade do que se tem na mão... É o que o mercado global agora chama de Inovação Frugal mas, para nós brasileiros, é pura sobrevivência diária. Criativa, por certo... aliás MUITOOOO criativa.
Do barro se faz tinta natural; de ventilador velho placa solar, de latas de vários tamanhos músicos criam uma bateria afinada; de caixas de leite e suco de criou placas para revestir casas nas comunidades carentes e – assim – se tem conforto térmico no verão e no inverno. Imagine com os recursos suficientes e a orientação certa!? Realmente, o brasileiro devia ser estudado pela NASA... ou melhor, devia ser financiado e respeitado pelos seus próprios gestores públicos e privados. Então, o que falta para a gente acordar? Deixo esta resposta para cada um pensar.
TECNOLOGIAS SIMPLES, SOLUÇÕES PODEROSAS
O conceito de Cidade Inteligente ainda é associado a sensores e infraestrutura de ponta. Mas, em 2026, a inteligência urbana está nas soluções simples, práticas e locais. Se já está operando com resultado, por que os gestores públicos ainda insistem em “criar pelo em ovo”? Pseudo-soluções que saem caríssimo e, em 80% dos casos, não resolvem o problema inicial.
Veja alguns exemplos de quem já faz acontecer com os dados de 2026:
URBANISMO REGENERATIVO: SUSTENTABILIDADE COM RENDA
A economia circular propõe um modelo em que o resíduo vira insumo. Mas a ousadia para 2026 é o Urbanismo Regenerativo: não basta apenas "não poluir", a cidade precisa devolver. É o bairro que gera mais energia do que consome e filtra sua própria água. Essa lógica funciona, já temos exemplos pelo mundo. Por que ainda não se implantou usinas de transformação do lixo orgânico em energia e substratos com inúmeras utilidades e aplicações!?? Por quê!? Já ouvi que é por conta do ‘alto investimento’... MENTIRA!! Pois, se gasta – infinitamente - mais com os ‘ajustes’ aos efeitos colaterais dos lixões que ainda existem.
E falando bem claro – num português simples: três são os fatores pra isso continuar como está ainda:
1º - A máfia do Lixo. (Sim, isso existe. Não é um ‘Mito Urbano’);
2º - Gestores públicos sem vontade política independente de partido e ideologia;
3º - Investimentos altos em ‘Soluções Paliativas’...só para ‘parecer’ que se fez algo...
Dados do ano passado (2025), mostram que cidades que adotaram e incentivaram sistemas de economia circulares reduziram custos de limpeza urbana em até 20%. De forma didática para você entender o que são os 4 R's desse processo:
LEGISLAÇÃO: O JOGO FICOU SÉRIO (Aliás, muito sério...)
O Brasil avançou em Marcos Legais que agora são balizadores reais de atitudes:
E a maior lacuna – ainda - é a Baixa integração entre planos diretores e metas ESG. É irônico debater tecnologia sem que a gestão pública esteja comprometida - de fato - no cotidiano das suas obras, da iluminação e do saneamento básico. A legislação abre caminhos, mas não caminha sozinha. O Brasil é o país com as melhores legislações do mundo!!! E pra quê?? Se a aplicação é como um game de RPG... Como uma ‘piada’ sem graça... Ou, como a Monalisa; linda, exuberante, copiada, mas inacessível!!!
A estrada está pavimentada. Mas quem vai caminhar?
A transformação urbana não depende apenas de leis. Depende de vontade, ação e compreensão. Cidades inteligentes são feitas de pessoas inteligentes. De cidadãos que reciclam, de empreendedores que ousam e de gestores que, finalmente, aprendam a escutar o que o "cidadão" está dizendo. E, principalmente, o que ele tem que mudar de fato na estrutura e processos da Gestão Pública. Doa a quem doer. É um sonho!
Mas, o gestor que quiser se eternizar na história, terá que estancar a sangria pública e entregar eficiência e eficácia. Acredito que ainda teremos um Ser Iluminado desses nas nossas cidades brasileiras.
Nunca seremos ‘perfeitos’... A beleza do Ser Humano é sua imperfeição – milimétricamente - calculada por D’us! A única perfeição que devemos buscar sempre é a de não destruir mais nada no Meio Ambiente.
A lei pavimenta a estrada. Mas os passos são nossos.
Pensar o futuro é agir no presente. Agora! Nesse minuto...
Vai... se mexe vivente!
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KÁTYA DESESSARDS | Jornalista, Conselheira e Mentora em ESG e Comunicação Estratégica. Integra o Institute On Life e a Consultoria Vantwork - Co-Autora no livro: Gestão! Como Evoluir em uma Nova Realidade? Experiência de 28 anos em diversos setores do mercado. | Quer Saber Mais? CLICK AQUI
Dúvidas & Sugestões sobre ESG: katyadesessards@gmail.com.br