O futuro das cidades é local, circular e regenerativo
Publicado em 12/05/2026 15h30

O futuro das cidades é local, circular e regenerativo

Enquanto o mundo busca soluções em sensores caros e algoritmos distantes, a verdadeira revolução urbana está acontecendo na garagem do seu vizinho e no coração das favelas brasileiras. Você está pronto para enxergar a tecnologia que a burocracia ainda ignora?
Por: Kátya Desessards

 

Cidades Inteligentes - PARTE 2

A INTELIGÊNCIA QUE BROTA DO BARRO

No artigo anterior, iniciei uma jornada sobre ESG – Ambiental, Social e Governança – dentro do modelo e do contexto das Cidades Inteligentes. Falei sobre como a governança ética, a sustentabilidade ambiental e a inclusão social são pilares para o futuro urbano. Hoje, em pleno maio de 2026, avanço para um ponto crucial e, muitas vezes, negligenciado: a valorização visceral das soluções locais.

“Com a seriedade de quem acredita que a transformação ESG começa onde estamos”, afirmo sem medo de errar que a SOLUÇÃO quase sempre está a um ‘palmo’ de nós!

Em um Brasil que fechou 2025 com mais de 15.000 startups ativas e um ecossistema de GovTechs que cresceu 25% no último ano, a inovação não está apenas nos grandes centros tecnológicos. Ela pulsa em garagens, laboratórios universitários, cooperativas e pequenas empresas espalhadas por cidades de todos os tamanhos. E, partindo do entendimento da grande capacidade criativa do brasileiro...

...é, justamente, aí que reside o potencial transformador do ESG aplicado ao Modelo Cidades Inteligentesa capacidade de reconhecer, apoiar e escalar soluções que nascem nas próprias cidades.

O brasileiro não é simples de entender, mas é fácil de ser percebido como acolhedor, resiliente e muito (mas muito) criativo. Quando se percorre bairros ou municípios fora das rotas de fácil acesso às facilidades tecnológicas, se consegue vivenciar – na prática – o “Professor Pardal” que nasce de uma dor ou dificuldade local. Temos, naturalmente, uma mente que busca por conexões na simplicidade do que se tem na mão... É o que o mercado global agora chama de Inovação Frugal mas, para nós brasileiros, é pura sobrevivência diária. Criativa, por certo... aliás MUITOOOO criativa.

Do barro se faz tinta natural; de ventilador velho placa solar, de latas de vários tamanhos músicos criam uma bateria afinada;  de caixas de leite e suco de criou placas para revestir casas nas comunidades carentes e – assim – se tem conforto térmico no verão e no inverno. Imagine com os recursos suficientes e a orientação certa!? Realmente, o brasileiro devia ser estudado pela NASA... ou melhor, devia ser financiado e respeitado pelos seus próprios gestores públicos e privados. Então, o que falta para a gente acordar? Deixo esta resposta para cada um pensar.

TECNOLOGIAS SIMPLES, SOLUÇÕES PODEROSAS

O conceito de Cidade Inteligente ainda é associado a sensores e infraestrutura de ponta. Mas, em 2026, a inteligência urbana está nas soluções simples, práticas e locais. Se já está operando com resultado, por que os gestores públicos ainda insistem em “criar pelo em ovo”? Pseudo-soluções que saem caríssimo e, em 80% dos casos, não resolvem o problema inicial.

Veja alguns exemplos de quem já faz acontecer com os dados de 2026:

  • Horus Smart Detection (Florianópolis/SC): O que começou com drones em 2021 evoluiu para uma plataforma de Gêmeos Digitais. Hoje, a prefeitura antecipa irregularidades e utiliza os dados para o "IPTU Verde", premiando quem preserva áreas permeáveis em tempo real.
  • Lemobs (Maricá/RJ): Em 2026, utilizam Blockchain para garantir que 100% dos recursos da merenda escolar cheguem à agricultura familiar, conectando dados nutricionais dos alunos à produção do campo com rastreabilidade total.
  • Projeto Solos (Salvador/BA): Um case de logística reversa que transforma resíduos de praia em mobiliário urbano e itens de alto valor para a indústria têxtil, gerando renda para comunidades costeiras.
  • Favela 3D - Gerando Falcões: O ápice do ESG local. Na Favela dos Marte (São José do Rio Preto/SP) e no Vergel (Maceió/AL), provaram que a "Smart City" só existe quando a favela é Digna, Digital e Desenvolvida. Transformaram até cascas de sururu em tijolos ecológicos!

URBANISMO REGENERATIVO: SUSTENTABILIDADE COM RENDA

A economia circular propõe um modelo em que o resíduo vira insumo. Mas a ousadia para 2026 é o Urbanismo Regenerativo: não basta apenas "não poluir", a cidade precisa devolver. É o bairro que gera mais energia do que consome e filtra sua própria água. Essa lógica funciona, já temos exemplos pelo mundo.  Por que ainda não se implantou usinas de transformação do lixo orgânico em energia e substratos com inúmeras utilidades e aplicações!?? Por quê!? Já ouvi que é por conta do ‘alto investimento’... MENTIRA!! Pois,  se gasta – infinitamente - mais com os ‘ajustes’ aos efeitos colaterais dos lixões que ainda existem.

E falando bem claro – num português simples: três são os fatores pra isso continuar como está ainda:

1º - A máfia do Lixo. (Sim, isso existe. Não é um ‘Mito Urbano’);

2º - Gestores públicos sem vontade política independente de partido e ideologia;

3º - Investimentos altos em ‘Soluções Paliativas’...só para ‘parecer’ que se fez algo...

Dados do ano passado (2025), mostram que cidades que adotaram e incentivaram sistemas de economia circulares reduziram custos de limpeza urbana em até 20%. De forma didática para você entender o que são os 4 R's desse processo:

  • Redução: Menos extração.
  • Reutilização: Novo uso ao que seria descarte.
  • Reciclagem: Transformação física em novos produtos.
  • Regeneração: O retorno que cura a natureza.

LEGISLAÇÃO: O JOGO FICOU SÉRIO (Aliás, muito sério...)

O Brasil avançou em Marcos Legais que agora são balizadores reais de atitudes:

  • Lei 14.133 (Nova Lei de Licitações): Em 2026, o selo ESG é critério decisivo. O menor preço não vence mais se não houver compromisso social e ambiental. (Ufa! Finalmente)
  • Taxonomia Sustentável Brasileira (2025): Acabou o Greenwashing. Agora temos regras claras sobre o que é investimento verde de verdade.
  • Decreto nº 12.210/2024: Orienta a soberania e proteção de dados nas cidades inteligentes com foco em inclusão 360°.

E a maior lacuna – ainda - é a Baixa integração entre planos diretores e metas ESG. É irônico debater tecnologia sem que a gestão pública esteja comprometida - de fato - no cotidiano das suas obras, da iluminação e do saneamento básico. A legislação abre caminhos, mas não caminha sozinha. O Brasil é o país com as melhores legislações do mundo!!! E pra quê?? Se a aplicação é como um game de RPG... Como uma ‘piada’ sem graça... Ou, como a Monalisa; linda, exuberante, copiada, mas inacessível!!!  

A estrada está pavimentada. Mas quem vai caminhar?

A transformação urbana não depende apenas de leis. Depende de vontade, ação e compreensão. Cidades inteligentes são feitas de pessoas inteligentes. De cidadãos que reciclam, de empreendedores que ousam e de gestores que, finalmente, aprendam a escutar o que o "cidadão" está dizendo. E, principalmente, o que ele tem que mudar de fato na estrutura e processos da Gestão Pública. Doa a quem doer. É um sonho!

Mas, o gestor que quiser se eternizar na história, terá que estancar a sangria pública e entregar eficiência e eficácia. Acredito que ainda teremos um Ser Iluminado desses nas nossas cidades brasileiras.

Nunca seremos ‘perfeitos’... A beleza do Ser Humano é sua imperfeição – milimétricamente - calculada por D’us! A única perfeição que devemos buscar sempre é a de não destruir mais nada no Meio Ambiente.

A lei pavimenta a estrada. Mas os passos são nossos.
Pensar o futuro é agir no presente. Agora! Nesse minuto...

Vai... se mexe vivente!

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KÁTYA DESESSARDS | Jornalista, Conselheira e Mentora em ESG e Comunicação Estratégica. Integra o Institute On Life e a Consultoria Vantwork - Co-Autora no livro: Gestão! Como Evoluir em uma Nova Realidade? Experiência de 28 anos em diversos setores do mercado.  |  Quer Saber Mais?  CLICK AQUI

Dúvidas & Sugestões  sobre ESG:  katyadesessards@gmail.com.br