O cenário agrícola na Argentina apresenta uma dinâmica de recuperação e ajustes estratégicos. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires revisou para cima a área plantada de milho, com um incremento de 300 mil hectares que elevou a projeção de produção para 61 milhões de toneladas. O ajuste reflete o otimismo dos produtores, apesar dos desafios climáticos enfrentados ao longo do ciclo.
Atualmente, a colheita do milho cobre 24,7% da área, apresentando um rendimento médio nacional de 87,5 sacas por hectare. O desempenho é puxado pelos polos produtivos de alta performance, como o Núcleo Norte e o Núcleo Sul, que registram médias de 100 e 94,8 sacas por hectare, respectivamente. O milho tardio, por sua vez, atravessa a fase de enchimento de grãos sob condições que variam de normais a excelentes, beneficiado por reservas hídricas adequadas na maior parte do país.
No caso da soja, o ritmo é mais cauteloso. A colheita atinge apenas 6,2% da área apta, progredindo lentamente devido às chuvas recentes que dificultaram o acesso das máquinas às lavouras. Esse volume está abaixo da média histórica para o período. Entretanto, a qualidade compensa o atraso: a soja de primeira registra produtividade de 37,5 sacas por hectare, com destaque para o Norte de La Pampa e o Oeste de Buenos Aires.
SOJA DE SEGUNDA EM ALTA Beneficiada pela recomposição hídrica, 80,5% da área de soja de segunda está em condição entre normal e boa, com a maior parte das lavouras em fase crítica de enchimento de grãos. A estimativa total foi mantida em 48,5 milhões de toneladas.
Já a cultura do girassol caminha para a reta final, com 89,9% da área colhida. Assim como nas demais culturas, o excesso de chuva gerou atrasos frente às médias recentes. A produtividade nacional do girassol permanece estável em 23,6 sacas por hectare, consolidando uma produção estimada em 6,4 milhões de toneladas.
O excesso hídrico em regiões centrais da Argentina, embora cause transtornos operacionais para a entrada das colheitadeiras, tem sido fundamental para garantir que as culturas de ciclo tardio expressem seu potencial produtivo. Para o mercado brasileiro, esses números são estratégicos, uma vez que a oferta argentina influencia diretamente os preços das commodities e a logística de exportação no Cone Sul.