Mosquito da malária dribla inseticidas e preocupa
Publicado em 17/04/2026 02h00

Mosquito da malária dribla inseticidas e preocupa

O trabalho, publicado na revista Science, sequenciou os genomas completos.
Por: Leonardo Gottems

O trabalho, publicado na revista Science, sequenciou os genomas completos - Foto: Divulgação

Um estudo internacional trouxe novos elementos para a compreensão da adaptação de vetores da malária na América Latina. A pesquisa analisou em escala inédita o material genético do mosquito Anopheles darlingi, principal transmissor da doença em regiões tropicais, revelando mecanismos associados à resistência a inseticidas.

O trabalho, publicado na revista Science, sequenciou os genomas completos de 1.094 fêmeas coletadas em 16 localidades distribuídas entre Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana e Guiana Francesa. A investigação contou com a participação da Faculdade de Saúde Pública da USP, sob coordenação da professora Maria Anice Mureb Sallum no país, responsável pela condução científica e operacional das atividades nacionais, incluindo coleta de dados e adequação às normas regulatórias.

A análise identificou sinais de seleção em genes ligados ao citocromo P450, associados à capacidade do mosquito de neutralizar substâncias químicas. Na prática, essas variações genéticas favorecem a sobrevivência de indivíduos expostos a inseticidas, permitindo que transmitam essa característica às gerações seguintes.

A cooperação envolveu instituições de diversos países, incluindo centros de pesquisa dos Estados Unidos, e seguiu diretrizes do Tratado de Nagoya, que regula o uso de recursos genéticos. Segundo a pesquisadora, a integração entre conhecimento local e tecnologia avançada amplia o alcance das análises e fortalece a produção científica.

Os resultados apontam que o controle da malária depende de estratégias integradas entre países, já que a circulação de vetores e genes ultrapassa fronteiras. O estudo também indica a necessidade de vigilância contínua e uso estratégico de inseticidas, com monitoramento constante de sua eficácia. O estudo teve participação da participação da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP).