O mercado global segue atento a uma combinação de fatores geopolíticos e climáticos que influenciam diretamente as commodities agrícolas e energéticas. Segundo análise do Rabobank, decisões recentes envolvendo comércio internacional e condições climáticas elevam o nível de incerteza para os próximos meses.
Em 13 de abril, o presidente dos Estados Unidos anunciou um bloqueio a embarcações que operem em portos iranianos, com o objetivo de reduzir as exportações de petróleo do país e pressionar negociações futuras entre as duas nações. Em resposta, o Irã ameaçou intensificar tensões na região do Golfo, mantendo seu próprio bloqueio no Estreito de Ormuz e sinalizando possíveis ataques a portos estratégicos. Ao mesmo tempo, a China, principal compradora de petróleo iraniano, indicou que poderá adotar medidas contra os Estados Unidos caso sejam aplicadas tarifas mais elevadas sobre produtos chineses.
No campo climático, o relatório mais recente do CPC dos Estados Unidos aponta maior probabilidade de formação do fenômeno El Niño entre maio e julho de 2026, antecipando a previsão anterior. A expectativa é que o evento se estenda até o fim do ano, com possibilidade de atingir forte intensidade, dependendo das condições ao longo dos próximos meses. Apesar disso, os mercados de commodities agrícolas ainda não reagiram de forma significativa ao novo cenário.
No mercado de açúcar, os preços voltaram a recuar na semana encerrada em 13 de abril. Mesmo com o risco climático associado ao El Niño, que pode afetar a produção asiática na próxima safra, prevalece o cenário de fundamentos globais mais fracos. Fundos de investimento interromperam uma sequência de compras e passaram a ampliar posições de venda, contribuindo para a queda do contrato ativo do açúcar, que atingiu o menor nível em quase seis semanas.