Argentina muda estratégia e lucra mais exportando menos carne em 2025
Publicado em 14/04/2026 09h39

Argentina muda estratégia e lucra mais exportando menos carne em 2025

A Argentina reconfigurou suas exportações de carne bovina, atingindo US$ 4,7 bilhões em 2025 ao priorizar cortes premium e diversificar destinos, com avanço recorde nos EUA e Israel.
Por: Redação

O mercado exportador de carne bovina da Argentina atravessa uma transição estratégica profunda. Em vez de focar apenas no volume de embarques, o setor consolidou um modelo de "valor sobre quantidade". Em 2025, as exportações totalizaram US$ 4,727 bilhões, um resultado financeiro robusto obtido mesmo com um volume menor de toneladas enviadas ao exterior. O segredo deste desempenho reside na valorização dos preços internacionais — que subiram entre 28% e 43% em dólar — e em uma mudança clara na pauta de produtos.

Atualmente, a carne representa 82% do total da pauta exportadora do setor pecuário argentino. A carne desossada congelada ainda lidera as receitas (47%), mas é o avanço da carne desossada refrigerada que sinaliza o novo rumo do país. Com maior valor agregado, a carne refrigerada alcançou um preço médio de US$ 11.014 por tonelada, mais do que o dobro dos US$ 5.417 obtidos pela carne congelada tradicional. Esse movimento permite ao país vizinho faturar mais preservando seus estoques e atendendo a nichos de alta gastronomia.

A geografia dos destinos também está em plena metamorfose. Embora a China continue sendo a principal parceira comercial, absorvendo 44,5% das vendas em 2025 (US$ 2,102 bilhões), o gigante asiático vem perdendo peso relativo. Em contrapartida, os Estados Unidos e Israel surgem como os novos protagonistas, aproveitando-se de janelas de oportunidade sanitária e comercial.

RECORDES EM 2026 No primeiro bimestre de 2026, as exportações argentinas já somam US$ 764,3 milhões, uma alta de 23,7%. EUA e Israel atingiram juntos 29,4% de participação, um nível recorde para a dupla de mercados.

A ascensão do mercado norte-americano é explicada por um fator cíclico: a redução histórica do rebanho bovino nos EUA, que elevou os preços internos e forçou o país a ampliar as importações. A Argentina aproveitou o cenário para elevar sua cota com benefícios tarifários de 20 mil para impressionantes 100 mil toneladas. Israel, por sua vez, consolidou-se como o segundo maior destino individual no início de 2026, respondendo por 15,2% dos embarques, enquanto a participação chinesa recuou para 36,9%.

A União Europeia mantém sua relevância histórica como bloco, com compras que totalizaram US$ 754 milhões em 2025, concentradas principalmente na Alemanha e nos Países Baixos. Apesar de uma leve perda de participação percentual frente ao avanço dos EUA, o mercado europeu continua sendo o principal destino para os cortes de alta gama (Cota Hilton), que exigem padrões rigorosos de rastreabilidade e sustentabilidade.

Este novo ciclo da carne argentina demonstra uma maturidade comercial. Ao diversificar os compradores e focar em produtos refrigerados de alto valor, a Argentina reduz sua dependência da China e se blinda contra oscilações bruscas de preços de commodities. Para 2026, a tendência é que a pecuária argentina siga consolidando sua posição em mercados que remuneram melhor a qualidade e a segurança sanitária.