
Quando se fala em ESG (ambiental, social e governança), muitos pequenos empresários ainda pensam: “isso é coisa de empresa grande”. Mas a verdade é que o futuro dos negócios — inclusive os pequenos — passa por práticas mais sustentáveis, éticas e transparentes. Esse é o novo ‘mantra’ para gestores. E a comunicação, tanto interna quanto externa, é a ponte que conecta esses valores à realidade do dia a dia.
Segundo dados do Sebrae Nacional e do Observatório Data MPE Brasil, em 2025 foram abertos 3,87 milhões de novos empreendimentos, representando um crescimento de 18,7% em relação a 2024. Hoje, os pequenos negócios respondem por 97% das empresas brasileiras, geram mais de 55% dos empregos formais e contribuem com 26,5% do PIB nacional. A expectativa para 2026 é de crescimento acima de 5% ao ano, puxado principalmente pelos setores de comércio e serviços. Esses números reforçam que o ESG não é apenas uma pauta de grandes corporações, mas sim um caminho de sobrevivência e expansão para os pequenos negócios.
Então! Fato para entrar na ‘cachola’ e pararem de afirmar o contrário: pequenas empresas brasileiras têm PROVADO que a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) não é exclusiva de grandes corporações, integrando esses princípios tanto em seus processos internos quanto em suas atividades fim.
Vamos para o que mais gosto...à PRÁTICA...
Numa Visão de Curto prazo...
Comece pelo simples. No aspecto ambiental, pequenas ações já fazem diferença: reduzir o uso de papel, adotar sacolas reutilizáveis, ou escolher fornecedores locais. Socialmente, valorize sua equipe com escuta ativa, horários flexíveis e reconhecimento. Na governança, organize processos, registre decisões e mantenha a transparência com clientes e parceiros. E a política da boa vizinhança pode se tornar um dos Ativos mais importantes do seu negócio.
Não adianta economizar no essencial. Comunicação é a chave!
Uma boa comunicação interna fortalece o time e evita ruídos. Já a externa mostra ao cliente que sua empresa tem propósito. Marketing com honestidade na comunicação pode evitar entendimentos dúbios e stress ao cliente. Use redes sociais para contar suas ações sustentáveis, compartilhe bastidores e envolva a comunidade. Isso gera conexão e fidelidade. E constrói Reputação a partir do exemplo e do sentimento de pertencimento local. Pequenos negócios de bairros podem gerar proximidade com maior valor agregado.
Já na Visão de Médio Prazo...
Estruture, evolua para criar metas simples de ESG, como reduzir o consumo de energia em 10% ou apoiar uma causa local (como juntar tampinhas de plástico para compra de cadeiras de rodas). Formalize políticas internas e treine sua equipe. A comunicação aqui deve ser constante: newsletters, reuniões curtas e presença digital ativa. Participar de Associações de bairro, ou correlatos, por exemplo, e busque levar tipo de informações além do seu próprio negócio, mas que sejam de relevância para o bairro. Isso pode – não só engajar – mas gerar sentimento de vizinhança. Outra dica é abrir vaga de um ano para Jovens Aprendizes, com bolsas de valor fixo, mais benefícios, para estudantes no turno inverso da escola. E, também, crie vaga para estudantes de cursos técnicos afins a sua área de atuação no mercado. E dê preferência para jovens que morem no seu bairro ou em bairros vizinhos, isso ajuda na logística e cria vínculo local.
E Olhando a Longo Prazo...
Minha dica é... Consolide e inspire! Repense sempre seus objetivos, não cristalize seu horizonte. Olhe para o lugar que você quer estar. Materialize na sua mente a visão desse espaço, desse lugar. Imagine esta Imagem. Isso é uma técnica que aprendi com grandes empresários. E, com isso, planeje como chegar nesse cenário fazendo as devidas reservas financeiras e pense, também, quais das pessoas que hoje estão com você seguirão nessa jornada. Com o tempo, essas práticas viram cultura. Você pode até se tornar referência no seu bairro ou cidade.
É o caso da produtora de cosméticos naturais e veganos Ahoaloe, que começou com uma pequena loja online e hoje é uma empresa de médio porte com forte atuação em ESG. Outro exemplo é a Loja Integrada, que nasceu como uma startup voltada para pequenos lojistas e hoje é uma das maiores plataformas de e-commerce do Brasil, apoiando milhares de pequenos negócios para venderem online seus produtos e a crescerem com responsabilidade.
E além desses exemplos, trago novos cases regionais inspiradores mostrando que a aplicação do ESG é uma realidade plausível em diferentes setores e regiões. Selecionei cinco exemplos, um de cada região do país, que fazem a diferença na Gestão, em Processos, em Sustentabilidade e na geração de empregos, tudo dentro dos princípios práticos do ESG. Veja e se inspire:
Região Norte (Pará): Cacau da Amazônia – A CEPOTX (Cooperativa Central de Produção Orgânica da Transamazônica e Xingu), de Altamira, se tornou uma referência global em cacau orgânico e regenerativo na Amazônia. Um exemplo de atuação responsável e geração de renda para pequenos agricultores familiares da região. Hoje, beneficia diretamente mais de 150 famílias de produtores associados. Em um contexto ampliado de transição para o sistema orgânico na região, o impacto alcança mais de 300 famílias em 9 municípios. Atua na recuperação de áreas degradadas via Sistemas Agroflorestais (SAFs), onde o cacau convive com espécies nativas (castanha-do-pará, ipê), mantendo a floresta em pé.
Região Nordeste (Bahia): O Ateliê Casa Rosa, de Ipirá, nasceu da necessidade de gerar renda de 7 mulheres que criaram um ateliê no sertão da Bahia que transforma tecidos rejeitados em bolsas e roupas, gerando renda e autonomia financeira para mulheres. Uma iniciativa de moda circular e impacto social que transforma o descarte têxtil em oportunidades no sertão.
Região Sul (Rio Grande do Sul): A Treboll Móveis, de Flores da Cunha) é um exemplo de pequena indústria que adotou o ESG como processo estratégico para expansão de mercado, depois de ter passado por muitas dificuldades. Implementou rigorosos controles de governança e práticas ambientais exigidas por clientes internacionais (especialmente do Reino Unido). O sucesso veio da estruturação dos três pilares para atender às demandas de exportação, provando que o ESG é um passaporte para o mercado global para pequenas empresas.
Região Centro-Oeste (Mato Grosso): A BioSustent, de Campo Grande, é de base tecnológica e sustentável que atua na gestão de resíduos e fabricação de produtos biodegradáveis. Transforma resíduos orgânicos e óleos vegetais usados em produtos de limpeza biodegradáveis e soluções para saneamento. Resolvem o descarte incorreto de resíduos que poluem o solo e lençóis freáticos. Atua no modelo de logística reversa e economia circular em sua cadeia produtiva, o que reduz o impacto ambiental de sua operação, pois, minimiza desde a coleta da matéria-prima até a entrega final. Atua com educação ambiental como catalizador de mudança e faz atendimento a pequenos geradores de resíduos, formalizando um setor que muitas vezes opera na informalidade.
Região Sudeste (São Paulo): A Positiv.a, com sede na capital paulista, é certificada (empresa B) que atua no setor de produtos de limpeza e autocuidado. Exemplo de ESG como atividade-fim. Resolve problemas ambientais. O modelo de negócio é baseado na economia circular. Utilizam embalagens feitas de plástico retirado do oceano e de redes de pesca descartadas, além de fórmulas 100% biodegradáveis e de base vegetal. Possui forte governança e transparência na sua cadeia de suprimentos, priorizando pequenos produtores locais para a matéria-prima (como o óleo de laranja).
Todas essas empresas, projetos e cooperativas nasceram da necessidade de resolver um problema ou de se manter no mercado. Claro que não é fácil mudar seu Modis Operandi com o ‘carro’ andando. Mas entenda que hoje isso é o que se precisa fazer. Não é fácil mexer em processos e, principalmente, na cabeça das Pessoas e no sentimento que fica no seu coração de que : _”Criei essa empresa dando o meu sangue por ela”.
Sim, eu sei. Já fali duas vezes. Já foi enganada. Já fui ludibriada. Já fui inocente ‘útil’. Já fui teimosa, nossa e como...
Entendo essa DOR que arranha nossa alma. Afinal. Nossas intenções são de conquistar a independência financeira; de levar conforto para nossa família e filhos. Há 20 anos, eu não tive orientação. E tive medo de buscar. Tive vergonha. Imaginava que iriam me ver como incompetente, como alguém que “não deu certo”. Mas são esses processos internos que precisamos superar para continuar a produzir, crescer, nos transformar e nos descobrir como empreendedores e profissionais. E o primeiro passo é admitir que precisamos ampliar nosso horizonte estudando, nos qualificando para MUDAR de rota...
Por isso fui estudar Neurociência (pra entender melhor de Pessoas); também estudei Tecnologias e Inovação; ampliei meu espectro quando estudei ESG...e estou terminando formação em Mediação. E a partir daí, descobri que meus mais de 28 anos na Comunicação (entre atuação na imprensa e no meio corporativo) me fizeram entender para onde eu deveria atuar para englobar todo esse conhecimento e know-how!!
ESG gritava dentro de mim, mas não tinha ideia de como atuar. Fiz uma longa e profunda Mentoria com dois profissionais que viraram amigos e irmãos de vida. E descobri que, toda a minha jornada até aqui, me tornou uma Conselheira e Mentora Nata e completa em ESG. Sensibilidade de perceber as ‘entrelinhas’ de Pessoas e Empresas é um ativo forjado por erros e acertos da minha trajetória.
Coisas que a maturidade vai nos ensinando e que precisamos abrir os olhos para VER o horizonte que queremos seguir. Por isso, tenho total segurança e conhecimento para estar aqui hoje, escrevendo para você, opinando e trazendo exemplos, sugestões e, também, críticas e limites. Não sou uma profissional de ‘gabinete’, me lapidei na vida, nos exemplos, nos erros e acertos em todas as empresas de inúmeros setores que trabalhei e na minha jornada como empreendedora.
E neste artigo trago minha releitura da prática para pequenas empresas entrarem ou ampliarem o ESG no seu dia-a-dia. No título já dei o caminho...
Os 3 Cs do ESG nos Pequenos Negócios: Cultura, Crescimento e Competitividade
O alinhamento desses 3 Pilares é importante para dirimir os maiores desafios para pequenas empresas com ESG. Que são:
ü Custos de implementação das práticas sustentáveis.
ü Falta de conhecimento técnico e dificuldade em medir indicadores ESG.
ü Assimetria entre intenção e prática, já que muitas empresas declaram compromisso, mas não conseguem estruturar ações consistentes.
ü Pressão competitiva, pois quem não adota ESG perde espaço em cadeias de valor e acesso a crédito.
E por que ESG é tão importante!? Porque para alinhar Cultura, Crescimento e Competitividade as pequenas empresas precisam ter MUITA CLAREZA sobre a sua Reputação(transparência e impacto social fortalecem a marca e fidelizam clientes),sobre a sua Eficiência(Redução de custos com energia, insumos e processos) e, por fim, sobre sua condição de Empregabilidade (sustentabilidade e governança sólida garantem geração contínua de empregos).
E para o quê isso é importante? Para serem vistas com menos RISCOS por bancos e investidores.
Levar ESG a sério não é modismo — é sobrevivência e diferencial competitivo. É Ser e não estar na pauta. E mesmo sua empresa sendo pequena, ela pode ser grande em impacto.
O segredo está em começar. Mesmo que seja com medo, vai. Comunicar bem (é a arma secreta) e crescer com propósito (é seu diferencial competitivo). O cliente tem as mesmas percepções que você. Então, SEMPRE fale e se comunique com sinceridade!
Porque o ditado popular que diz... “mentira tem perna curta”... É Verdade!
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KÁTYA DESESSARDS | Conselheira e Mentora em ESG e Comunicação Estratégica.
Integrante do Institute On Life - Co-Autora no livro: Gestão! Como Evoluir em uma Nova Realidade? Experiência de 28 anos em diversos setores do mercado. | Quer Saber Mais? CLICK AQUI
Dúvidas & Sugestões sobre pautas ESG: katyadesessards@gmail.com.br