Brent a US$ 105: Bloqueio no Estreito de Ormuz faz combustíveis dispararem
Publicado em 16/03/2026 07h00

Brent a US$ 105: Bloqueio no Estreito de Ormuz faz combustíveis dispararem

O preço do petróleo Brent ultrapassou os US$ 105 nesta segunda-feira (16), impulsionado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz e pela escalada militar entre EUA, Israel e Irã.
Por: Redação

O mercado global de energia entrou em colapso nesta manhã, com reflexos imediatos nas bombas de combustíveis e na logística internacional. O petróleo tipo Brent atingiu a marca de US$ 106 na abertura dos mercados, estabilizando-se em US$ 105 logo em seguida. O motor dessa explosão de preços é o bloqueio do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária Iraniana, em represália à ofensiva lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.

A situação é crítica: por essa via navegável passa aproximadamente 20% do comércio marítimo mundial de petróleo, além de volumes maciços de gás natural liquefeito (GNL) e fertilizantes. Com o bloqueio e os ataques a petroleiros, o fluxo logístico global foi interrompido, forçando países como Portugal a reajustarem a gasolina em 7 centavos e o diesel em 8 centavos por litro já nesta segunda-feira.

A Maior Liberação de Reservas da História

Para tentar frear a volatilidade, a Agência Internacional de Energia (AIE) tomou uma medida sem precedentes: a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas. Trata-se da maior intervenção da história da agência. Desse total, os Estados Unidos contribuirão com 172 milhões de barris, sendo que os primeiros 86 milhões devem chegar ao mercado ainda no final desta semana.

Apesar da medida, o sentimento do mercado é de insegurança. O presidente norte-americano, Donald Trump, alertou que a Otan e parceiros como a China e a Europa — altamente dependentes do óleo da região — precisam cooperar para reabrir o estreito, ou enfrentarão um "futuro muito mau".

O "Nó" Logístico e os Fertilizantes

O bloqueio não afeta apenas o combustível que move os tratores, mas também os insumos que garantem a produtividade. O Estreito de Ormuz é a principal via de saída para os fertilizantes produzidos no Oriente Médio (Catar e Arábia Saudita). Para o produtor rural brasileiro, o risco é duplo:

  1. Alta no Diesel: Elevação direta nos fretes rodoviários para o escoamento da safra.

  2. Escassez de Nitrogenados: Atrasos e encarecimento de fertilizantes essenciais para o plantio.

Combustível Aumento (Portugal) Impacto Sem Subsídio
Gasolina + 7 centavos/L + 10 centavos/L
Diesel + 8 centavos/L + 10 centavos/L
Petróleo Brent US$ 105,00 Alta de 15% em 15 dias

Reunião de Emergência na OMI

A Organização Marítima Internacional (OMI) convocou uma sessão extraordinária para os dias 18 e 19 de março. O objetivo é tratar das repercussões para o transporte marítimo global e buscar protocolos de segurança para os navios que ainda ousam navegar nas proximidades do Golfo. A Guarda Revolucionária Iraniana tem reivindicado ataques sistemáticos, o que elevou o prêmio de seguro das cargas a níveis proibitivos.

"Aqueles que se beneficiam do estreito devem ajudar a garantir que nada de mal lá aconteça", afirmou o presidente norte-americano ao Financial Times.

Para o agronegócio brasileiro, o cenário de "Guerra do Petróleo" prolongada exige uma revisão imediata dos custos de frete. Com o Brent acima de US$ 100, a pressão sobre a Petrobras para reajustes internos no Brasil tende a aumentar, impactando a rentabilidade da safra 2026 que já enfrenta desafios logísticos.