“Nem eu sabia que eu tinha todo esse potencial.” A frase de Samantha de Oliveira, de 11 anos, resume o impacto transformador que o Programa Agrinho, do Senar/MS, exerce sobre as novas gerações sul-mato-grossenses. Aluna do sétimo ano da Escola Ideal, em Campo Grande, a estudante foi uma das grandes premiadas na edição de 2025, provando que a distância geográfica entre a capital e o interior não é barreira para o conhecimento e a valorização do campo.
O contato com o tema “Cultivando Saberes, Protegendo o Pantanal” abriu para a jovem um universo até então distante da sua rotina urbana. Ao mergulhar na cultura pantaneira, na produção rural e na importância da preservação ambiental, Samantha não apenas venceu um concurso, mas encontrou uma nova perspectiva para o seu futuro. A experiência foi tão marcante que alterou seus planos profissionais, colocando o setor agrário no centro de suas ambições.
A descoberta da vocação ocorreu de forma natural durante as atividades escolares. Antes focada em áreas genéricas, Samantha agora visualiza sua carreira conectada à terra. “Hoje eu penso em fazer Direito ou Medicina Veterinária, por conta do Agrinho mesmo. Porque trouxe coisas relacionadas ao Pantanal, mais rural”, ressalta a estudante, evidenciando como a educação pode despertar o interesse por carreiras fundamentais para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.
A trajetória de Samantha contou com o suporte fundamental da professora de Língua Portuguesa, Camila Araújo. Para a educadora, o Agrinho é uma ferramenta indispensável para integrar a identidade regional ao currículo formal. Trabalhar a temática pantaneira permitiu que os alunos da capital redescobrissem suas raízes e compreendessem a complexidade de um bioma que é referência mundial, mas que muitas vezes é esquecido no dia a dia da cidade.
Durante o processo criativo, Samantha explorou gêneros textuais e construiu um conto mágico que uniu fantasia à realidade do campo. O aprendizado ultrapassou as regras gramaticais, envolvendo músicas regionais, debates sobre o modo de vida pantaneiro e a responsabilidade social da produção de alimentos. Essa abordagem interdisciplinar é um dos pilares do programa, que busca formar cidadãos conscientes e orgulhosos de sua terra.
“Foi uma excelente oportunidade para trabalhar aquilo que faz parte da nossa cultura, da nossa região, mas que às vezes aqui na capital a gente esquece de abordar”, explica a professora Camila Araújo.
A vivência na Escola Ideal transformou o tema em prática. Além das aulas teóricas, a instituição promoveu atividades ao ar livre e feiras temáticas, permitindo que os estudantes entendessem o bioma como um espaço dinâmico de trabalho e cultura. A proposta pedagógica do Senar/MS facilita essa imersão, oferecendo materiais que conectam o saber acadêmico à realidade prática das fazendas e das comunidades tradicionais.
O reconhecimento de Samantha como finalista foi um marco na sua trajetória escolar. A notícia chegou de surpresa, durante uma aula de matemática, e foi celebrada com aplausos e emoção por toda a turma. Para a aluna, subir ao palco da cerimônia de premiação ao lado de sua professora foi a coroação de um esforço que uniu pesquisa, criatividade e dedicação.
A experiência da premiação é descrita por Camila como um momento de felicidade pura, capaz de renovar o entusiasmo pelo ensino. O choro de alegria no palco simboliza o sucesso de uma iniciativa que consegue tocar o coração de alunos e professores, mostrando que o campo é um terreno fértil para o crescimento intelectual e humano. O Agrinho prova que o futuro do agronegócio começa, muitas vezes, em uma folha de papel dentro da sala de aula.
| Etapa do Programa | Impacto no Aluno | Resultado Pedagógico |
| Pesquisa Temática | Descoberta da cultura regional. | Ampliação do repertório cultural. |
| Produção Textual | Desenvolvimento da escrita e criatividade. | Domínio de gêneros literários. |
| Vivência Escolar | Conexão com a realidade rural. | Formação de consciência ambiental. |
| Premiação | Valorização do esforço e potencial. | Estímulo ao protagonismo juvenil. |
O sucesso de casos como o de Samantha motiva o Senar/MS a lançar a edição de 2026 com um novo desafio. Estão abertas as inscrições para escolas públicas e privadas de todo o estado interessadas em participar da iniciativa. O tema deste ano, “Agro que alimenta, gente que cuida!”, foca na relação vital entre a produção sustentável de alimentos e o cuidado com a vida em todas as suas formas.
O Programa Agrinho contribui para a formação cidadã de crianças do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Ao estimular a reflexão sobre o papel de cada indivíduo na sociedade, a iniciativa fortalece os laços entre o campo e a cidade, combatendo desinformações e destacando a importância do produtor rural como guardião da segurança alimentar e do meio ambiente.
As escolas têm até o dia 30 de maio de 2026 para realizar a adesão de forma gratuita. O processo é simples e deve ser feito diretamente no site oficial do programa. Participar do Agrinho é garantir que mais alunos, assim como Samantha, tenham a oportunidade de descobrir que o agro é um universo de oportunidades, inovação e preservação.
As inscrições podem ser feitas no site oficial do programa, na aba “inscrições”, selecionando em seguida “adesão da escola”.