O setor aquícola de São Paulo encerrou 2025 com indicadores positivos, sustentando uma trajetória de crescimento consistente. Segundo dados preliminares do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), a produção de tilápia no estado avançou 4% em relação ao ano anterior, totalizando 54,17 mil toneladas. Esse desempenho resultou em um faturamento de R$ 494,11 milhões, reforçando a importância econômica da atividade para o agronegócio paulista.
Com esses números, São Paulo mantém com folga a segunda posição no ranking nacional de produção de tilápia, situando-se logo atrás do Paraná. A estrutura industrial que sustenta esse volume é composta por 21 frigoríficos especializados, que concentram 86% do abate estadual. O restante da produção paulista atravessa as fronteiras para ser processado em unidades instaladas nos estados vizinhos, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
A engrenagem desse crescimento está localizada, principalmente, no oeste paulista. A utilização de tanques-rede em grandes reservatórios hidrelétricos revolucionou o setor e hoje essa modalidade já responde por mais de 75% de todo o volume produzido no estado. Levantamentos recentes da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) indicam a operação de mais de 12 mil unidades de tanques-rede, enquanto os viveiros escavados permanecem fortes nas regiões do planalto e da Mantiqueira, atendendo mercados locais e o setor de pesque-pague.
Raio-X da Tilápia em SP (2025): Volume produzido: 54,17 mil toneladas (+4%). Faturamento: R$ 494,11 milhões. Concentração produtiva: 75% em tanques-rede no oeste do estado.
No mercado consumidor, a tilápia reina absoluta como a espécie preferida dos paulistas, superando peixes tradicionais como o salmão, a pescada e o atum. Entretanto, o setor enfrenta um desafio cultural e econômico: o consumo de pescado no estado ainda está aquém das recomendações internacionais. Pesquisas da USP e do Instituto de Pesca mostram que a ingestão média da população é de uma a três vezes por mês, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere o consumo ao menos duas vezes por semana.
O principal obstáculo para a popularização ainda maior da tilápia é o custo da proteína. Analistas do IEA apontam que o preço final ao consumidor limita a frequência de compra, apesar da eficiência produtiva alcançada pelas fazendas aquícolas. Estratégias que visem a redução de custos logísticos e o aumento da competitividade frente a outras carnes são vistas como fundamentais para elevar o volume comercializado internamente.
O avanço da tilápia em São Paulo reflete a profissionalização da cadeia, que investe em genética, nutrição de precisão e manejo sanitário rigoroso. A consolidação do oeste paulista como um polo de piscicultura demonstra o potencial de aproveitamento dos recursos hídricos para a geração de renda e emprego. Para 2026, a expectativa é de que a manutenção dos investimentos em tecnologia permita ao estado continuar reduzindo a distância para o líder nacional e expandindo sua presença nas gôndolas de todo o país.