Publicado em 10/06/2021 18h25

BRF se reúne com avicultores de MT para negociar acordo e evitar paralisação

Integrados ameaçam parar alojamento de pintinhos para engorda e abate a partir de segunda-feira (14/6) por empresa não aceitar elevar preços entre 10% e 12%

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A BRF se reúne nesta quinta-feira (10/6) com a comissão municipal Cadec e a Associação de Produtores de Proteína Animal (Appa), de Lucas do Rio Verde (MT), para negociar um acordo em relação aos preços pagos pelo frango aos produtores integrados da região.

A informação foi dada pelo coordenador do primeiro grupo e diretor executivo da associação, Pablo Artifon, em entrevista ao Broadcast Agro, da Agência Estado. A conversa ocorrerá após avicultores terem ameaçado paralisar os alojamentos de pintinhos para engorda e abate a partir de segunda-feira (14/6), enquanto a empresa não aceitar elevar os preços entre 10% e 12%.

Artifon explica que a negociação teve início em novembro do ano passado, quando a BRF costuma se reunir com os produtores integrados para ajustar os preços, com base nos custos e na taxa de atratividade dos investimentos realizados por eles na gestão das granjas.

Contudo, desta vez, a companhia decidiu postergar os ajustes e, na semana passada, deu por encerrado o assunto, afirmando que continuaria pagando os valores vigentes pelos animais, que foram negociados em janeiro de 2020.

"Estamos sem reposição de preços há mais de um ano, em um momento em que a inflação do país está estourando e os custos com energia elétrica e com combustíveis cresceram muito", disse ele, acrescentando que esses gastos são as maiores preocupações, uma vez que, no sistema de produção integrado às agroindústrias, estas fornecem os animais e a ração. Portanto, eles não estariam expostos ao incremento nas cotações dos grãos.

A conjuntura fez a associação organizar uma assembleia com os produtores na última segunda-feira (7/6) à noite, quando decidiram cumprir com os alojamentos já em atividade, mas parar de aceitar programar os alojamentos da semana que vem.

De acordo com Artifon, para cada dia que essa programação estiver interrompida a BRF deixa de alojar cerca de 450 mil pintinhos, o que vai se refletir em uma falta de animais para abate mais à frente na planta de Lucas de Rio Verde (MT), uma das maiores operações da companhia no país.

Procurada, a BRF comentou que está em negociação constante com os produtores, "como sempre foi feito em reuniões de Cadec", mas não deu detalhes sobre o tema. Em nota, a empresa reforçou, ainda, que toda a cadeia de produção sofre com os custos de produção.

Na avaliação do diretor da Appa, contudo, a empresa está bem posicionada em relação às exportações e pode arcar com pagamentos mais altos, especialmente após o reajuste de 20% nos preços de seus produtos no mercado.

"A alegação é a de que está difícil para todo o mercado, mas nós não participamos do mercado porque não podemos comercializar os animais com outras empresas, em função do contrato de integração com a agroindústria", disse.

Autoria: Estadão Conteúdo

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