Publicado em 14/11/2017 12h53

Doce cristalizado de bocaiuva é alternativa de renda para extrativistas

AgroIndústria

A Embrapa Pantanal (MS) e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) desenvolveram, em parceria, um doce cristalizado a partir da polpa da bocaiuva, uma palmeira frutífera nativa encontrada em quase todo o território brasileiro e em abundância no Mato Grosso do Sul. O objetivo da pesquisa foi aproveitar os frutos e agregar valor ao produto, gerando trabalho e renda para comunidades extrativistas. Considerada uma excelente fonte de nutrientes, a bocaiuva apresenta alto teor de carboidratos, fibras, lipídeos e minerais como cobre, zinco e potássio, contendo elementos com ações antioxidante e anti-inflamatória.

A metodologia para a obtenção do doce cristalizado consiste, resumidamente, na substituição de parte da água de sua composição por açúcares, conforme preconiza a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O tratamento utilizou apenas açúcar cristal, de forma lenta, com concentração controlada da calda, aquecimento e secagem. A tecnologia foi apresentada pela primeira vez no Agroecol 2016, em Dourados (MS).

A Embrapa Pantanal e a UFMS possuem em andamento outras pesquisas relacionadas ao processamento da bocaiuva. Especialistas desenvolveram também a geleia de bocaiuva e anunciaram estudos para obtenção da geleia com maracujá, sob coordenação da professora Juliana Donadon, do curso de Tecnologia de Alimentos da universidade. “O objetivo é desenvolver o processo de obtenção de geleia de bocaiuva em mistura com polpa de outras frutas, de modo a ampliar a capacidade de oferta de novos produtos à base da palmeira e, consequentemente, promover a geração de trabalho e renda para comunidades extrativistas,” esclarece.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Aurélio Vinicius Borsato, foram realizadas pesquisas participativas com as comunidades, por meio de análises sensoriais preliminares que nortearam os estudos em laboratório, até que se chegasse a um produto de melhor qualidade. “Ainda na fase de execução dos estudos, a opinião das extrativistas de bocaiuva sempre foi consultada por meio de amostras oriundas de resultados preliminares, tanto de geleia quanto do doce cristalizado.” Borsato explica que a pesquisa está na fase final de ajuste de algumas condições de processamento, a fim de melhorar a apresentação do produto.

Impacto social potencial

O impacto social que as tecnologias que transformam a polpa de bocaiuva em geleia e doce cristalizado irá proporcionar será a geração de trabalho e renda. Além da agregação de valor, pode ampliar a capacidade de diversificação na oferta de produtos à base de bocaiuva, bem como disponibilizar ao consumidor tais produtos o ano todo.

“Estamos apoiando o desenvolvimento do processo de obtenção do produto geleia light de bocaiuva, em parceria com o professor Dorivaldo da Silva Raupp, do curso de Nutrição das Faculdades Ponta Grossa (PR). Trata-se também de uma consequência das atividades iniciadas por conta do Projeto Bocpan, da Embrapa, e que está em fase de finalização”, disse Borsato. Segundo ele, o propósito é obter uma geleia com baixo teor de açúcar e, consequentemente, de melhor qualidade nutricional. Os principais resultados estão sendo analisados estatisticamente para que em breve sejam publicados em revista científica.

A professora Juliana conta que sua equipe está pesquisando maneiras para viabilizar o desenvolvimento de novos produtos tendo como ingrediente a bocaiuva, considerando a reduzida vida útil dos frutos após a colheita e a impossibilidade de processamento imediato de toda a safra. O armazenamento dos frutos por meio de tecnologia adequada se faz necessário, visando a prolongar a vida útil e o aproveitamento dos frutos na entressafra. “Buscando atender a essa demanda, estudos estão sendo realizados sob minha coordenação e tendo como parceiras as professoras Rita de Cássia Avellaneda Guimarães e Raquel Pires Campos, da UFMS, além do pesquisador da Embrapa Aurélio Borsatto.”

Autoria: Embrapa Pantanal

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