Publicado em 11/10/2017 11h18

Queda nos preços das farinhas é quase o dobro da queda do grão

Custos dos moinhos continuam inviabilizados no mínimo em 23%.

De acordo com a Consultoria Trigo & Farinhas, os preços do grão do cereal de inverno voltaram a cair nesta semana, com baixas de 2,99% no trigo doméstico do Rio Grande do Sul e 1,06% no trigo pão do Paraná: “Mas isto não melhorou a lucratividade dos moinhos, porque os preços das farinhas caíram quase o dobro”.

“A queda dos preços do grão seria uma boa notícia, se não fosse a queda maior ainda dos preços das farinhas. Dos dois subprodutos do trigo doméstico a farinha comum, com a qual se faz biscoitos recheados e similares, caiu 4,0%, a farinha inteira, coma qual se faz biscoitos mais sofisticados, como wafers e cream cracker e outros, caiu 11,5%. Dos dois produtos feitos com trigo pão a farinha especial, com a qual se faz, entre outros o pacote de 1 kg vendido nos supermercados e algumas massas, caiu 5,6% e a farinha de panificação, do pão e das pizzas, caiu 16,7%”, analisa a T&F.

Assim, pelos cálculos da Consultoria Trigo & Farinhas, os custos dos moinhos continuam inviabilizados no mínimo em 23% (sem contar os altos custos médios dos moinhos, já que o mercado do grão está em queda há mais de 30 dias). Isso significa que a demanda por estes produtos finais está caindo e, ao que parece, acentuadamente.

“Em segundo lugar, significa que há mais vendedores que compradores de farinha no mercado atual, fato que permite a estes promoverem um leilão às avessas, de quem oferece o melhor produto pelo menor preço, uma vez que a crença geral (errônea, em nosso modo de entender) é que o consumidor reagirá apenas se o preço baixar. Já baixou muito, já foram feitas inúmeras promoções, inclusive de multinacionais, e as vendas não reagem”, comenta o analista júnior da T&F, Luiz Fernando Pacheco.

De acordo com ele, o caminho seria um reforço de marketing: “É constatação antiga que se vende mais Coca-Cola do que leite nas favelas – e por quê? Pelo marketing. Há dois tipos de marketing a serem feitos: um em direção ao produtor, para levá-lo a plantar variedades exigidas pelos moinhos para os seus contratos de farinha e outro em direção ao consumidor, para mostrar as vantagens do consumo de biscoitos, massas e pizzas, que podem elevar a demanda por farinhas”.

Autoria: Leonardo Gottens | Agrolink

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