Publicado em 14/07/2017 18h55

BR-163 é liberada, mas movimento alerta que poderá retomar protestos

Grupos protestavam contra medidas que alteram os limites da Floresta Nacional do Jamanxim

Os bloqueios na BR-163 no sudoeste do Pará foram suspensos nesta sexta-feira após o envio, pelo presidente Michel Temer, de projeto de lei (PL) alterando os limites da Floresta Nacional do Jamanxim, mas o movimento responsável pelos atos alerta que pode retomar os protestos caso esse texto não seja alterado.

Em nota enviada à Reuters, a autodenominada Sociedade Civil Organizada informa que "serão suspensos provisoriamente os manifestos". A interrupção valerá pelo menos até agosto, quando termina o recesso parlamantar, permitindo ao Congresso Nacional analisar o texto.

O movimento pondera, no entanto, que "em virtude de o texto do referido PL não contemplar ou corresponder ao que fora prometido", poderão ser realizadas novas manifestações, "para se exigir o cumprimento efetivo de medidas e atos necessários à garantia dos direitos fundamentais e constitucionais já consolidados dos brasileiros desta região".

Sob condição de anonimato, um dos integrante do movimento comentou que o PL não trata da exploração da Área de Proteção Ambiental (APA) nem da concessão de uso da terra para quem exerce atividades na Floresta Nacional do Jamanxim.

"Isso pode gerar restrições lá na frente", salientou ele.

A Floresta Nacional do Jamanxim está no cerne dos protestos na BR-163, iniciados em 3 de julho. Agricultores, pecuaristas, madeireiros e outros segmentos da região de Novo Progresso, no sudoeste do Pará, favoráveis à exploração comercial de parte da reserva e contrários aos vetos de Temer às medidas provisórias 756 e 758, passaram a bloquear a via.

A manifestação impôs prejuízos milionários para as empresas que operam no porto fluvial de Miritituba, segundo associações. O terminal é o destino final da maior parte dos caminhões vindos de Mato Grosso carregados com grãos.

A partir dali, a carga é despejada em barcaças e enviada para portos do chamado Arco Norte, de onde é exportada.

A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) calculou em 150 milhões de reais as perdas decorrentes dos bloqueios na BR-163, enquanto a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) destacou que o cancelamento de exportação é "inevitável".

Nesta sexta-feira, o Centro de Informações Operacionais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Pará confirmou que a BR-163 não registrava bloqueios.

Quatro dias

As operações com grãos no terminal fluvial de Miritituba, no Pará, deverão ser normalizadas em até quatro dias, agora que foram suspensos bloqueios na BR-163, que liga o porto às áreas produtoras de Mato Grosso, disse à Reuters o gerente de Economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Amaral Furlan.

"Algumas empresas chegaram a parar, outras estavam na iminência disso. Não há um número preciso sobre o impacto, mas é possível dizer que parte significativa da operação ficou comprometida", afirmou ele à Reuters, sem citar números.

Amaral acrescentou que foram, "realmente", registrados cancelamentos ou remanejamento de embarques de grãos pelo porto de Barcarena, também no Pará. "Isso ocorreu com mais de uma empresa", disse, sem dar mais detalhes.

A BR-163 foi liberada nesta sexta-feira após o presidente Michel Temer enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei que altera os limites da Floresta Nacional do Jamanxim.

Autoria: Reuters

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