Publicado em 03/11/2014 09h54

Carnes nobres custam até R$ 460 o quilo

Apesar do alto custo, produto tem um público cativo que não abre mão da padronização da qualidade

kobe

Curitiba - O mercado de luxo não se limita a roupas, sapatos, joias caríssimas e carros. Um segmento que vem ganhando espaço entre seletos consumidores é o de carnes nobres. Hoje há casas especializadas que oferecem chorizo Kobe por R$ 460 o quilo e têm um público específico, que reúne empresários, industriais, advogados e magistrados. Geralmente os clientes compram estas carnes para preparar refeições para poucas pessoas.

Mas este tipo de carne tem vários motivos para ter o custo elevado para o consumidor final. Uma das mais cobiçadas é a carne Kobe, que tem como origem a região de mesmo nome no Japão. Ela é obtida da raça wagyu, criada de forma artesanal. O boi recebe cuidados como massagem e consome cerveja, com o objetivo de abrir o apetite e ajudar na formação da carne.

Segundo o proprietário da casa de carnes nobres Bull Prime de Curitiba, Marcos Canan, a raça wagyu é criada em confinamento, para permitir que o animal faça o mínimo de esforço possível, o que impede a formação de tantas fibras musculares. Assim, a carne fica com maior quantidade de gordura entremeada, o chamado marmoreio, conferindo-lhe mais maciez. O nível de marmoreio varia de uma escala de dois a 12. Quanto mais próximo de 12 maior é a maciez.

Ele comercializa a carne Kobe resfriada, comprada de um produtor de São Paulo que trouxe sêmen e embrião do Japão. O nível de marmoreio desta carne é oito. Canan também importa o mesmo produto da Austrália e do Uruguai. No entanto, 70% das compras de Kobe da casa são feitas em São Paulo.

A casa também oferece jantar a R$ 290 por pessoa, com direito a sequência de carne Kobe que inclui carpaccio, chorizo com risoto, assado de tira com farofa e ancho com salada que somam 400 gramas de carne.

O tíquete médio da loja é de R$ 350. O proprietário explica que alguns clientes pedem para tirar a etiqueta de preço da carne para não terem "problemas" com a esposa em casa. Entre os cortes mais caros estão o chorizo Kobe premium (R$ 459 o quilo) e a picanha kobe beef (R$ 279).

A casa comercializa ainda a linha black das raças Angus e Hereford. Este tipo de boi é criado a campo por 12 meses, depois vai para o confinamento por 180 dias e, em seguida, vai para o abate. Entre as principais características estão maciez, sabor e padronização do corte. Oferece cortes como mignon, alcatra, fraldinha, picanha, chorizo, ancho e miolo da paleta. O mais caro é picanha (R$ 109 o quilo) e o mais barato o miolo da paleta (R$ 45 o quilo).

Canan conta que o avô é pecuarista de gado de corte em Cianorte. "Quando eu era criança, muitas vezes passava três meses nas minhas férias na propriedade do meu avô", recorda. Aí começou a familiaridade com o meio. Ele também tem criação de cordeiro em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, com cerca de 500 animais.

O advogado Maurício Aguiar é um dos consumidores que aprecia carnes nobres. Na última semana gastou R$ 500 na compra de picanha black para fazer um churrasco para oito pessoas. "Prefiro as carnes nobres porque o produto tem sempre a mesma qualidade", afirma.

Autoria: Folha Web

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