O interesse especulativo pelas commodities agrícolas aumentou diante de riscos climáticos e geopolíticos que seguem influenciando as expectativas para diferentes mercados. Segundo o Rabobank, os fundos agora mantêm a maior posição líquida comprada no conjunto das commodities agrícolas desde 12 de maio, enquanto, ao excluir contratos de pecuária e considerar apenas grãos, oleaginosas e soft commodities, a posição dos agentes não comerciais é a mais elevada desde maio de 2022.
Entre os fatores que sustentam esse movimento estão os efeitos atuais e potenciais do El Niño, a situação no Mar Negro e as tensões em Hormuz. No clima, condições mais úmidas que o normal no Sul do Brasil e na Argentina e tempo mais seco na Índia e no Sudeste Asiático estão em linha com o padrão esperado para o fenômeno. Na Austrália, porém, a seca até agora é menos intensa do que se previa, com exceção de áreas da costa leste. O impacto efetivo dessas condições sobre a produção ainda permanece incerto.
No trigo, o cenário do Mar Negro continua entre as principais preocupações. A Rússia sinaliza que a interrupção de ataques à infraestrutura energética seria uma condição para um cessar-fogo envolvendo estruturas ligadas aos grãos, posição que não parece aceitável para Kyiv. Ao mesmo tempo, o país começou a redirecionar exportações, elevando a demanda ferroviária e ampliando a expectativa de embarques pelos portos do Báltico, embora esses volumes ainda representem apenas uma fração dos fluxos russos habituais.
No café, o Rabobank identifica sinais crescentes de maior disponibilidade de arábica e robusta. A avaliação é de que existe um grande excedente, mas parte desse volume ainda precisa chegar aos mercados de destino. O aumento das exportações brasileiras, após a correção de uma falha nos dados, também reduziu preocupações sobre uma possível resistência dos produtores em vender.