
A busca pela autonomia financeira e pelo fortalecimento da agricultura familiar ganhou um novo capítulo no Assentamento Santa Clara, localizado no município de Bataguassu, em Mato Grosso do Sul. A produtora rural Eliane de Lima Gonçalves transformou o cultivo de hortaliças, antes voltado apenas à subsistência da família, em um empreendimento comercial estruturado. A atividade passou a compor o orçamento da propriedade ao lado da pecuária leiteira e da produção de queijos artesanais.
A guinada nos negócios ocorreu por meio do acompanhamento promovido pelo projeto Nós do Campo, iniciativa desenvolvida pela MS Florestal e mantida pelo programa Bracell Social. A assistência técnica continuada orientou a produtora a enxergar a horticultura como uma oportunidade de geração de receita diária, permitindo o aproveitamento eficiente da área disponível na pequena propriedade.
Com a implantação das recomendações agronômicas, a área destinada ao cultivo de hortaliças saltou de modestos 2,25 metros quadrados para 114 metros quadrados. O aumento na capacidade produtiva impulsionou uma expansão estimada em 700% na comercialização dos alimentos colhidos no assentamento.
Diversificação no campo: A expansão da horta de 2,25 m² para 114 m² permitiu aumentar as vendas em 700%, criando uma nova fonte de receita para a família.
Após anos trabalhando em propriedades de terceiros, a produtora realizou o sonho de adquirir a própria terra há cinco anos. Nos primeiros anos de ocupação do lote, a principal fonte de renda vinha da pecuária leiteira. No entanto, a ausência de animais com aptidão genética específica para a atividade resultava em baixa produtividade de leite, exigindo alternativas para complementar a receita familiar.
A comercialização das hortaliças começou no final de 2025 e rapidamente ganhou escala regional. Se no início das vendas a produtora entregava cerca de cinco maços de temperos por mês, atualmente o volume comercializado ultrapassa 40 maços mensais, acrescido de uma variedade de folhosas e legumes.
Para escoar a produção, a agricultora adotou a venda direta ao consumidor por meio de redes sociais e grupos de mensagens instantâneas. Além disso, os alimentos produzidos no assentamento foram inseridos em programas de aquisição governamental de alimentos, garantindo previsibilidade de entrega e renda estável para o lote.
Canais diretos: A comercialização utiliza grupos de WhatsApp, redes sociais e programas institucionais de compras governamentais.
O analista de Responsabilidade Social da MS Florestal, Edvaldo Araújo, salienta que a metodologia do projeto prioriza a autonomia dos agricultores por meio do conhecimento aplicado. O profissional ressalta que a consolidação da horticultura estruturada no Assentamento Santa Clara reflete o compromisso de impulsionar o desenvolvimento socioeconômico sustentável nas comunidades rurais do estado.
Com o sucesso do cultivo folhoso, a propriedade rural em Bataguassu consolidou uma matriz produtiva ancorada em três frentes principais de faturamento: o fornecimento de leite in natura, a confecção de queijos artesanais e a venda de hortaliças frescas.
A estratégia de diversificação reduziu a dependência de uma única atividade econômica, protegendo a família contra oscilações de preço no mercado lácteo. A produtora planeja manter o ritmo de entregas nos canais institucionais e expandir o atendimento a consumidores urbanos da região.