
O grupo foi recebido pela Casa Branca Agropastoril - Foto: Divulgação
A formação de novos profissionais para a cadeia produtiva da carne bovina exige uma imersão profunda nas tecnologias que ditam o ritmo do campo moderno. Com o avanço rápido das ferramentas de seleção, o conhecimento teórico recebido nas salas de aula necessita de validação prática constante. Essa necessidade de vivência real motivou um grupo de estudantes a conhecer de perto uma das principais referências em seleção animal do país.
A atividade de campo reuniu 45 alunos e dois professores do curso de medicina veterinária do Centro Universitário Unincor, sediado em Três Corações, Minas Gerais. O destino escolhido para o treinamento foi a Fazenda Santa Ester, localizada no município de Silvianópolis, onde funciona a base de seleção de alta performance da Casa Branca Agropastoril, empresa reconhecida pelo investimento em linhagens de padrão elevado.
Durante a permanência na propriedade rural, os futuros veterinários acompanharam as rotinas diárias que envolvem a mensuração de dados zootécnicos e a escolha das matrizes e reprodutores. O contato direto com os animais permitiu fixar conceitos de anatomia e fisiologia que frequentemente ficam restritos aos livros didáticos e apresentações de slides durante os semestres da graduação acadêmica.
Os trabalhos contaram com a coordenação dos médicos-veterinários Pablo Pimenta e José Augusto Medeiros, integrantes do corpo técnico da empresa receptora. Os especialistas conduziram demonstrações focadas nas avaliações morfológicas dos plantéis, ensinando os alunos a identificar os aprumos corretos, a profundidade de carcaça e a conformação muscular que caracterizam um touro reprodutor eficiente no pasto.
A observação minuciosa das características raciais serviu para balizar a discussão sobre a manutenção dos padrões exigidos pelas associações promocionais. Os técnicos detalharam como os desvios fenotípicos de aprumos influenciam negativamente o desempenho do reprodutor em regime de campo aberto e comprometem a progênie, impactando diretamente a rentabilidade do pecuarista comercial que adquire essa genética.
Outro ponto que recebeu atenção especial foi a execução das chamadas provas de desempenho. Esse mecanismo zootécnico correlaciona as informações coletadas no mapeamento genômico com as características fenotípicas expressas pelo animal sob condições controladas de manejo e alimentação, garantindo que os dados gerados em laboratório se traduzam em ganho de peso e fertilidade na fazenda.
As provas de desempenho zootécnico cruzam os dados da genômica com o ganho de peso real dos animais, garantindo a entrega de touros avaliados ao mercado.
A diretora da Casa Branca Agropastoril, Fabiana Marques Borrelli, ponderou que receber os estudantes integra um compromisso institucional de transferência de conhecimento para o setor. Na visão da gestora, aproximar a universidade da realidade das empresas rurais acelera o processo de adoção de novas tecnologias, preparando profissionais sintonizados com as demandas reais do mercado de corte.
A compreensão das ferramentas de biotecnologia aplicada, como a genômica, deixa de ser uma tendência abstrata e passa a ser uma exigência de sobrevivência econômica para as fazendas de cria e engorda. A executiva apontou que a vivência prática permite aos graduandos enxergar a engrenagem econômica que sustenta o investimento em melhoramento genético, cuja meta final é produzir mais carne em menos tempo.
Os professores Ronaldo Braga Reis e Camilo Canela Filho, que lideraram a delegação estudantil, destacaram o saldo positivo da viagem técnica para a formação dos futuros profissionais. Os docentes avaliam que o ambiente da Fazenda Santa Ester oferece uma amostragem fiel do que existe de mais moderno no cenário da pecuária nacional, complementando as disciplinas teóricas da grade curricular.
O uso de dados de marcadores moleculares associados à pesagem de campo permite identificar os animais superiores antes mesmo do desmame na fazenda.
O professor Ronaldo Braga Reis, responsável pela cadeira de melhoramento genético animal na Unincor, ressaltou que a visita esclareceu pontos complexos sobre a utilização dos números gerados nos sumários de touros. O docente explicou que ver a aplicação prática das Diferenças Esperadas na Proclive (DEPs) facilita o entendimento de como os índices estatísticos determinam o direcionamento correto dos acasalamentos.
A capacidade de interpretar os relatórios gerados pelas provas zootécnicas confere ao futuro médico-veterinário uma posição de destaque na prestação de serviços de consultoria técnica. O mercado de trabalho busca profissionais que saibam converter planilhas complexas de dados genéticos em decisões simples de manejo que resultem em bezerros mais pesados na desmama e matrizes com maior taxa de fertilidade.
A dinâmica de aprendizado encerrou-se com uma rodada de debates na qual os participantes tiraram dúvidas sobre mercado de sêmen, comercialização de reprodutores em leilões e as tendências de cruzamento industrial para o Centro-Oeste do país. A Casa Branca Agropastoril mantém uma agenda aberta para interações com instituições de ensino, visando colaborar de forma contínua com a qualificação da mão de obra setorial.