Publicado em 08/07/2024 13h07

Nível dos rios da Bacia do Paraguai está abaixo da média histórica e pode afetar navegação

Principal rio da bacia, o Paraguai, pode ter sua navegabilidade comprometida se as águas continuarem baixando.
Por: Semadesc - Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação

O nível dos rios da bacia do Paraguai já está abaixo da média histórica e vem caindo rapidamente em alguns pontos nos últimos dias, como efeito da escassez de chuvas que afeta, sobretudo, a região Pantaneira. O principal rio da bacia, o Paraguai, pode ter sua navegabilidade comprometida se as águas continuarem baixando. Outros rios, como o Miranda e o Aquidauana – também já sentem o efeito da estiagem prolongada.

“Todas as estações, com exceção de Coxim, estão bem abaixo das médias históricas. A única estação que está dentro da média histórica, a de Coxim (rio Taquari), nós acreditamos que seja por conta da sedimentação do rio”, afirmou a analista de Recursos Hídricos Kharlla Yamaciro Thays Fernandes, que trabalha na Sala de Situação em que é feito o monitoramento dos rios do Estado, no Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck diz que o Governo acompanha de perto a situação que é preocupante, sobretudo quanto ao risco de desabastecimento de comunidades da região. Além disso a crise hídrica também afeta as exportações pela hidrovia como da soja e minério e ferro. “O Governo está atento e se preocupa tanto com a situação das comunidades da região que podem ter risco de abastecimento, como da economia, como pela falta de navegabilidade e impedimento para escoamento de produtos, tanto para a população quanto para exportação”, salientou.

As estações Pousada Taiamã (rio Piquiri), São Francisco, Ladário, Porto Esperança, Porto Murtinho (rio Paraguai) e Miranda (rio Miranda) já estão com valores de estiagem. A estação Estrada-MT (rios Aquidauana/Miranda) deve entrar nesse final de semana, o valor, nessa sexta-feira (5), foi de 99 centímetros e o limite de estiagem é de 96cm. “Em destaque, também, Porto Esperança, que está com 11 centímetros e o nível de estiagem é 35cm. Deve entrar no negativo daqui a cinco ou seis dias. O nível do rio nesse local tem descido dois centímetros por dia”, disse Fernandes.

Os piores níveis do rio Paraguai nessa sexta-feira foram registrados na estação de Porto Esperança – naquele ponto está com apenas 3% em relação à média histórica; Ladário, que também apresenta situação muito ruim, com 22% do esperado; e Porto Murtinho, com 37%. O rio Miranda, em Miranda, apresenta apenas 38% do volume de água esperado para o período.

A decisão sobre navegabilidade da Hidrovia do Paraguai é da Marinha do Brasil e por enquanto as operações estão mantidas, com algumas recomendações de cuidados em relação às fumaças causadas pelos incêndios e “Passos Críticos” no trecho entre Corumbá e Cáceres (MT) “que requerem atenção nas manobras em função de baixas profundidades, limitada largura e/ou sinuosidade”. As restrições e orientações sobre as embarcações, empurradores e comboios estão presentes nas Normas e Procedimentos da Capitania Fluvial do Pantanal.

Desde o dia 13 de maio a Região Hidrográfica do Paraguai está em Situação Crítica de Escassez Quantitativa dos Recursos Hídricos, declarada pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e que deve se estender até 31 de outubro, podendo ser prorrogada, caso o problema persista. Os diretores da ANA ponderaram que a falta de chuvas pode resultar em impactos aos usos da água, sobretudo em captações para abastecimento humano – especialmente em Cuiabá (MT) e Corumbá (MS), além de dificultar e até inviabilizar a navegação, reduzir o potencial do aproveitamento hidrelétrico a fio d’água e comprometer atividades de pesca, turismo e lazer.