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Publicado em 14/02/2022 18h49

Intensificação na produção de bezerros garante lucro na pecuária de corte

Uma desmama eficiente ajuda a diminuir intervalos entre os partos e ainda antecipa os ganhos na atividade reprodutiva.
Por: Assessoria de Imprensa

O início do ano é de tomadas de decisões importantes da porteira para dentro para os pecuaristas goianos. Muitos que atuam visando à cria do gado de corte precisam definir quais técnicas utilizar para a aceleração dos bezerros. Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte afirmam que o atraso na manifestação do primeiro cio pós-parto é uma das principais causas do baixo desempenho reprodutivo da pecuária de corte e está relacionado à deficiência nutricional e à intensidade de amamentação.

Levando em consideração esses fatores e visando poupar a vaca do estresse da amamentação, sem prejudicar o desenvolvimento do bezerro, os criadores realizam a desmama, tradicionalmente, entre o sétimo e oitavo meses de idade. O veterinário Vicente França, especialista da Nutroeste Nutrição Animal, explica que o primeiro passo para uma boa aceleração é adotar um bom manejo sanitário e nutricional do nascimento até a desmama.

Segundo Vicente, uma forma de habituar o bezerro a comer no cocho desde cedo é o creep-feeding, que tem por objetivo preservar o escore corporal da vaca da intensa amamentação e aumentar o peso durante a desmama dos bezerros. Segundo ele, nessa técnica a cria tem um cocho privativo, dentro de um cercado, ao qual só o bezerro tem acesso. “Nesse processo é oferecido um reforço alimentar com uma ração concentrada, balanceada com as exigências específicas para o bezerro que ainda está mamando”, diz.

O veterinário pontua que as vantagens do creep são inúmeras como: o crescimento do bezerro, elevando o peso na desmama em até uma arroba em relação aos que não receberam creep e a aceleração do desenvolvimento do rúmen, fazendo com que o bezerro se torne ruminante mais rápido. Isso possibilita ao animal uma melhor absorção de concentrados energética na vida adulta e a capacidade de conseguir consumir capim precocemente.

“Também é observada a redução de algumas doenças ligadas ao aparelho digestivo e, como os bezerros passam a mamar menos, temos a redução do desgaste das mães, que por sua vez promove um aumento no índice de cio da vacada”, explica Vicente, lembrando que tudo isso facilita a desmama precoce sem estresse e sem perda de peso.

O protocolo de creep é viável?

O pecuarista, que faz todas as contas antes e durante o processo de produção, deve estar se perguntando qual o custo da desmama utilizando o creep-fedding. O técnico agrícola Matheus Jonathan lembra que o ponto mais importante é o ganho de uma arroba do bezerro que utiliza o creep se comparado àquele que não utilizou.

Quanto ao custo deste protocolo, ele calcula que é de aproximadamente R$ 170,00, o que representa 42% do valor da @ de um bezerro na desmama. “A conta deve ser pensada assim, a arroba na desmama custa R$ 400,00, considerando que esse bezerro ganhou uma @ no processo, o produtor terá 58% de lucro, ou seja, R$ 400,00 menos os R$170,00, que é igual a R$230,00”, ensina ele.

Taxa de desmama

Segundo Matheus, em um sistema de produção de bovinos de corte, a taxa de desmama e a quantidade de kg de bezerro desmamado influencia diretamente a eficiência do processo de criação. “De acordo com a natureza da espécie bovina, uma vaca com 100% de eficiência - em condições ideais de pastagem, sanidade e de manejo em geral - é capaz de produzir um bezerro a cada 12 meses”, pontua.

Ele explica que essa vaca é considerada perfeita em termos de eficiência reprodutiva. “A grande maioria das vacas, mesmo que bem manejadas, conseguem uma média de produção de bezerros que oscila entre 14 e 18 meses, no Brasil Central. Podemos concluir que a eficiência reprodutiva varia de 88 a 75 %”, diz. O técnico acrescenta ainda que no período do nascimento do bezerro até a desmama é considerado normal que ocorra 2 a 3% de mortes por doenças e outros fatores inerentes a esta fase de vida dos bovinos.

Consequentemente, nossos pecuaristas trabalham com um índice de desmama na casa dos 85 a 72%, ou seja, para cada 100 bezerros desmamados, ele tem que dar comida, suplementação, vacinas e outros custos, para 112/125 vacas. “Como a fonte de renda do pecuarista de cria é a venda dos bezerros, ele precisa focar em manter ou melhorar o índice de desmama do seu plantel de vacas”, analisa ele.

Matheus lembra ainda que é importante salientar que, em quase todas as regiões do país, os bezerros são vendidos de acordo com o peso vivo. É de extrema importância que o criador invista na genética do seu rebanho, visando produzir mais kg de bezerros por vaca, além de ser melhor remunerado por lotes mais pesados e uniformes. “A escala de produção tem influência tanto no custo de produção bem como no preço de venda do bezerro”, explica Matheus.