Publicado em 16/09/2020 16h59

Nematoide faz controle biológico do bicudo

Produto inédito e inovador promete o controle da praga

O Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, pesquisa uma forma de controle biológico para o bicudo da cana-de-açúcar (Sphenophorus levis). Ele é considerado a principal praga da cultura. 

As larvas desse inseto destroem rizoma da planta, causando prejuízos da ordem de 30 toneladas de cana por hectare, além de reduzir a longevidade do canavial. Os estudos científicos conduzidos pelo Instituto mostram que a cada 1% de rizomas atacados pelo bicudo no canavial, o canavicultor tem perda de 1% na sua produtividade, além de 0,32% na redução no peso de colmos e 0,68% de queda no número de brotos gerados pelo rizoma após o corte da cana.

A solução estaria em nematoides entomopatogênicos. A pesquisa trabalha em um produto inovador que tem essa base e seria responsável por reduzir em 80% a ocorrência da praga. Trata-se de um produto inédito e com tecnologia brasileira que tem aplicação facilitada no campo. Os nematoides vêm sendo testados também contra diversas outras pragas em diversas outras culturas como batata, morango, cultivos protegidos, cupuaçu e cogumelos, proporcionando níveis de controle também acima de 80%.

Segundo o pesquisador do IB, Luís Garrigós Leite, o nematoide em questão causa uma infecção natural na população do bicudo dentro da raiz da cana. Outra vantagem é o amplo espectro de ação para as pragas de solo da cana-de-açúcar, proporcionando de 50% a 80% de controle da lagarta Hyponeuma taltula, larvas de corós, broca gigante, cigarrinha-da-raiz e cochonilhas de raiz, dentre outros insetos. 

Leite destaca que uma vez aplicados os elementos ficam no solo por vários meses
favorecidos pela palhada da cana que preserva uma umidade favorável para a sua atuação. “A vinhaça aplicada no solo também pode favorecer o nematoide, especialmente nos períodos de seca por aumentar a umidade do solo e prolongar as condições favoráveis. Além disso, NEPs são compatíveis a diversos produtos químicos usados na cana-de-açúcar, podendo ser aplicados até mesmo em misturas de calda", afirma Leite.

A dificuldade do controle pelo uso de produtos químicos é explicada porque o bicudo age na raiz da cana, o que impede a ação efetiva dos defensivos. Além disso, esse inseto deixa aberturas na raiz da planta, resultantes do desenvolvimento do inseto desde a sua oviposição até a saída na fase adulta, o que possibilita a entrada de nematoides entomopatogênicos, que são organismos do solo, importantes inimigos naturais do bicudo.

Autoria: Eliza Maliszewski | Agrolink

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