Publicado em 14/05/2019 17h41

Glifosato: Bayer é condenada a indenizar em US$ 2 bilhões casal dos EUA

Os advogados da defesa apresentaram aos jurados estudos científicos que, segundo eles, mostram que o glifosato e o Roundup são carcinogênicos

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A Bayer foi condenada por um júri da Califórnia, nos Estados Unidos, a pagar US$ 2,055 bilhões a um casal da Califórnia que afirma ter desenvolvido câncer por causa do herbicida Roundup, da Monsanto, adquirida pela empresa alemã. É a terceira derrota da Bayer na Justiça em casos desse tipo.

Alva e Alberta Pilliod, com idade na casa dos 70 anos, foram diagnosticados com a doença linfoma não Hodgkin após terem usado, por 35 anos, o Roundup em sua propriedade na área da Baía de São Francisco. Os dois, diagnosticados em um intervalo de quatro anos, em 2011 e 2015, estão em remissão.

Os advogados do casal apresentaram aos jurados estudos científicos em ratos, células e populações humanas que, segundo eles, mostram que o glifosato e o Roundup são carcinogênicos. Os advogados da Bayer responderam que centenas de estudos mostraram que o herbicida é seguro, citando a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA, que aprovou o produto. No fim de abril, a EPA reafirmou a sua conclusão de que o glifosato é seguro quando usado conforme as instruções e que não causa câncer.

Em relação à saúde dos Pilliod, a multinacional apresentou diagnósticos prévios de câncer, históricos familiares da doença e também autoimunes que, segundo eles, elevaram o risco de o casal desenvolver linfoma não Hodgkin.

O veredicto acontece em um momento em que a Bayer enfrenta problemas com acionistas por causa da aquisição da Monsanto no ano passado, que expôs a Bayer a cerca de 13.400 processos ligando o Roundup a câncer. As outras duas derrotas contribuíram para a queda de mais de 30% nos preços das ações. No mês passado, a maioria dos acionistas da Bayer se recusou a apoiar as ações da diretoria no último ano, indicando que investidores não têm confiança na forma como a empresa está sendo comandada.

A Bayer recorreu a uma decisão que condenou a empresa a pagar US$ 78,5 milhões ao ex-jardineiro Dewayne Johnson em agosto do ano passado, o primeiro caso ligado ao Roundup a ser julgado. A empresa disse que também recorrerá de uma segunda derrota, no qual um júri decidiu, em março, que a companhia deveria pagar mais de US$ 80 milhões a um residente da Califórnia, Edwin Hardeman.

Autoria: Estadão Conteúdo

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