Publicado em 11/01/2018 18h27

Brasil precisa rever sua cadeia de trigo

“A produção de trigo está definhando novamente no país”

Na visão da Consultoria Trigo & Farinhas, o Brasil precisa rever o seu modelo de cadeia da produção do cereal de inverno. Segundo o analista da T&F, Luiz Fernando Pacheco, como resultado das mudanças observadas nas últimas décadas, “a produção de trigo está definhando novamente no país”.

“Houve um tempo em que, no Brasil, para se abrir um moinho, tinha que se ter licença do governo. Épocas do CTRIN, entre 1962 e 1990, quando o governo subsidiava o trigo, comprando 100% do que o agricultor produzia e vendia com 30% de desconto para os moinhos. Parecia o melhor dos modelos (e muita gente tem ainda saudades disto), mas o fato é que, naquela época, não se caprichava nos cultivos, não havia produção específica para a produção de farinhas e a produtividade média ficava ao redor de 890 kg/ha, contra algo ao redor de 2.780 kg/ha de hoje, com sementes especializadas para cada tipo de farinha”, lembra Pacheco.

Agora, porém, o especialista aponta que a produção de trigo no Brasil caiu completamente para o lado oposto: “Não se controla nada, desde o produtor até o moinho. O produtor pode usar a semente que quiser, vender para quem quiser e os moinhos não são obrigados a prestar contas das suas compras e estoques para ninguém. O que também não é bom”. 

Segundo Pacheco, nem a Abitrigo sabe qual a real capacidade de moagem no país, muito menos a produção total de farinhas: “Pulamos do 8 para o 80 e o setor de trigo, um pioneiro das lavouras extensivas no país, ainda não produz o suficiente para o consumo interno, tendo sido ultrapassado por lavouras que vieram depois, como a soja e o milho (extensivo) e outras”. 

De acordo com o analista, há que se determinar regiões de produção de tipos de trigos segundo sua vocação territorial e focar na produção de farinhas determinadas e de grãos com finalidades específicas (moagem para a produção de farinhas industriais, de panificação, especiais) e exportação (grãos menos nobres e de menor custo, destinados ao consumo de ração animal, no Brasil e no Mundo). 

“E exigir que os moinhos reportem suas compras de trigo e vendas de farinhas para um organismo central (privado ou oficial), que mostre regularmente a situação do mercado, para o bem de todos”, conclui Pacheco.

Autoria: Leonardo Gottems | Agrolink

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